Exposição em homenagem a Hilda Hilst em Vitória - ES360

Exposição em homenagem a Hilda Hilst em Vitória

O artista plástico Wagner Veiga retrata em seus quadros as histórias da autora. A mostra ficará no Trapiche Gamão até o dia 29 de novembro

 ‘Estou homenageando pessoas que tem a ver com a minha história’, conta oa rtista Wagner Veiga. Foto: Divulgação
‘Estou homenageando pessoas que tem a ver com a minha história’, conta o artista Wagner Veiga. Foto: Divulgação

A contribuição de Hilda Hilst (1930-2004) para a literatura brasileira não só inspirou outros escritores, como também impactou movimentos artísticos e fez nascer trabalhos em sua homenagem. Após visitar a chácara que Hilda manteve até o fim da vida, em São Paulo, Wagner Veiga decidiu pintar uma série de quadros que revivem as histórias da autora, como mostra a exposição “Casa do Sol”, que ficará no Trapiche Gamão, em Vitória, até o dia 29 de novembro. Confira a entrevista em que o artista plástico detalha a experiência e fala sobre a sua trajetória profissional.

Como foi o seu primeiro contato com a Hilda Hilst?
A primeira vez que a vi foi no jornal “O Pasquim”, em São Paulo, no final dos anos 1960. Depois, assisti a muitas entrevistas na televisão e acabei virando fã. Além disso, eu era muito ligado às artes, e figuras como Vinícius de Moraes e Tom Jobim – a elite intelectual do país – iam muito à casa dela. Em 2009, a minha filha Carolina, após ouvir eu e minha esposa conversando sobre a Hilda, nos presenteou com o “Caderno de Literatura Brasileira”, inteiramente sobre a vida dela. Comecei a ler, nossas identidades bateram e virei ainda mais fã. De imediato, criei uma afinidade e identificação.

O que mais chamou a sua atenção no trabalho dela?
Naquela época, o cinema e a literatura mostravam as diferenças entre a sociedade européia e brasileira. Aqui, sempre houve influências católicas e repressivas. Lá também, mas Ingmar Bergman, por exemplo, em “Morangos Silvestres”, defendia como isso poderia ser burlado. Diferentemente de nós [brasileiros], eles tratavam os assuntos de forma menos trágica, sem vinganças, humilhações ou orgulho. Acabei me identificando com essa linha de pensamento. E, coincidentemente, isso também estava no trabalho da Hilda. Também percebi que ela pertenceu à elite paulistana, na época, mas não deixou de retratar temas sociais que fossem sórdidos, como consumismo, pedofilia… Além disso, não pertencia a nenhuma ideologia política.

E como surgiu a vontade de fazer os quadros?
Hilda, no final da vida, construiu a “Casa do Sol”, em São Paulo, onde descansava e recebia os amigos. Ali, passou a viver a vida que sonhava. Inclusive, ela tinha quase 80 cães, sabia? (risos). O fotógrafo Eduardo Simões foi até essa casa e fez alguns registros, que estão dentro do livro que Carolina me deu. Fiquei encantado, quis muito ir conhecer. Liguei para o Instituto Hilda Hilst e viajei até lá, em 2011. Fotografei e fiz croquis, mas não tive como tocar o trabalho tão depressa. Por isso, só voltei com eles há um ano e, agora, estou inaugurando a exposição.

Artista retrata em obras o dia a dia de Hilda Hilst. Foto: Reprodução
Artista retrata em obras o dia a dia de Hilda Hilst. Foto: Reprodução

Qual a importância dos capixabas conhecerem o trabalho da Hilda?
A exposição, em geral, é uma homenagem aos escritores. Acho que não só ela é importante, como todos os autores brasileiros e estrangeiros. Estou homenageando pessoas que têm a ver com a minha história.

Como você deu início à carreira artística?
Desde novo, sempre fui ilustrador. Mudei de São Paulo para o Espírito Santo, nos anos 1970, para trabalhar em agências de publicidade. Nisso, tive contato com jornalistas, escritores, cineastas… Com essas pessoas, descobri o que era poesia. Aliás, para mim, não adianta nada você ser um grande ilustrador, mas não ter poesia no coração. Percebi isso e fui abandonando as agências, dando início ao meu trabalho com a arquitetura, com os croquis. Já nos anos 1980, nasceu minha primeira exposição, no Homero Massena, em Vitória. Depois, fiz exposições em São Paulo, Salvador, na Europa, recentemente em Boston, nos Estados Unidos…

Mesmo sendo paulista, você é conhecido como um grande ilustrador de pontos turísticos do Espírito Santo. Esse projeto ainda existe?
Olha, assim que cheguei na Grande Vitória, fiquei encantado. Em uma das minhas primeiras exposições, “Aquarela e Bico de Pena”, as pessoas contaram histórias pessoais em lugares que eu havia pintado, como a Igreja dos Reis Magos, na Serra, e o Convento da Penha, em Vila Velha. Foi quando descobri que estava reconstruindo a identidade capixaba e uma parte da história.

“Casa do Sol”, de Wagner Veiga

Onde: no Trapiche Gamão. Endereço: rua Gama Rosa, 236 – Centro, Vitória;
Quando: até 29 de novembro, das 11h às 19h, de terça-feira a sexta-feira; sábado, 10h às 20h;
Entrada: gratuita;
Informações: (27) 9.9956-0277.

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