Executiva fala sobre o mercado de trabalho para as mulheres - ES360

Executiva fala sobre o mercado de trabalho para as mulheres

Marly Vidal, diretora administrativa e RH na Sabin Medicina Diagnóstica, defende que para ter sucesso profissional, a mulher não precisa ter fracasso na família

"Para ter sucesso profissional, a mulher não precisa ter fracasso na família", defende Marly Vidal. Foto: Divulgação
“Para ter sucesso profissional, a mulher não precisa ter fracasso na família”, defende Marly Vidal. Foto: Divulgação

Estimativa do Fórum Econômico Mundial aponta que daqui a 60 anos as mulheres vão ganhar o mesmo que os homens na mesma função. E só em 2123 que elas vão ocupar o mesmo número de cargos em alta gestão que o público masculino. Para mudar essa perspectiva, a diretora administrativa e RH da Sabin Medicina Diagnóstica, Marly Vidal, defende que as empresas tenham a preocupação de fazer a gestão da remuneração e política da diversidade, para garantir mais mulheres em cargos de chefia e, ainda, que elas equilibrem vida profissional e familiar. A diretora da empresa, que foi eleita em 2018 a melhor para a mulher trabalhar no Brasil, vai dar palestra amanhã para convidados da Unimed Vitória, que inicia um movimento para debater a ampliação da participação feminina em vários setores da sociedade.

O número de mulheres à frente dos cargos de liderança ainda é baixo, e nas diversas profissões ainda ganham menos que os homens. Como vê essa situação?
Eu vivo uma realidade diferente porque a nossa empresa hoje tem 77% de mulheres e 74% da liderança é feminina. Dentro da perspectiva do mercado de mulher com dificuldade de ascensão dentro da empresa, hoje a gente tem políticas com a preocupação de fazer a gestão da remuneração e na política da diversidade.

Você tem 29 anos de mercado. Como foi a sua trajetória?
Comecei no Sabin como atendente quando a empresa tinha apenas sete anos. E foi ali que construí minha trajetória, passando por vários cargos, de supervisão, coordenação, nível de gerente e nível de superintendente, até quando surgiu a governança e passei para o cargo de diretora de administração, em 2014.

Acredita que alguma característica feminina pode ajudar em cargos de chefia?
A mulher é dinâmica, tem sensibilidade e um olhar diferente. E ter uma visão 360 graus ajuda na organização. Além disso, as mulheres correram atrás e estão se qualificando mais e numa posição que possam proporcionar o protagonismo para que tenham ainda mais ascensão na carreira.

O que falta para mulheres aumentarem a participação em cargos de chefia nas empresas?
É preciso investir na política de diversidade, proporcionando oportunidades para mulheres. Precisa ser observado o índice de mulheres participando do processo seletivo para uma vaga para que a mulher sinta que está ali por mérito. Recentemente tivemos uma vaga de gerente contábil, muitas vezes um perfil mais masculino, mas abrimos processo seletivo só para mulheres. O RH precisa ter a preocupação de trazer a diversidade para o grupo de funcionários.

A rotina da mulher ainda engloba em grande parte do dia o cuidado da casa e dos filhos. Como conciliar todas essas tarefas com a gestão nas empresas?
Uma das coisas que trabalhamos muito na empresa é no autoconhecimento para que desenvolvam equilíbrio nas relações. Mostramos, em palestras, que não está certo focar só no trabalho e que pode se ter ascensão profissional e ter também outra linha da vida equilibrada. Por isso mostramos sempre que não significa que para ter sucesso profissional a mulher tem que ter fracasso na família ou nas relações sociais. Trabalhamos para que a mulher não se sinta menor pelo fato de equilibrar todas as áreas da vida.

Hoje vemos muitas mulheres aproveitando para empreender, principalmente após a maternidade. Como vê isso?
Empreender é um ponto importante e se você tem o desejo empreende em qualquer lugar. Mas vejo também que esse é um ponto importante para as empresas mudarem a filosofia de que após a maternidade a mulher vai ter perda de produtividade. Pelo contrário, a mulher passa a ter outra relação com o trabalho e por isso estendemos a licença-maternidade para seis meses e mais um mês de férias. Passamos também por uma mudança de comportamento que a mulher passou a ter filho mais velha e muitas optavam por não voltar ao trabalho depois do nascimento. Depois que ampliamos a licença, o índice de retorno tem ficado em 100%. Precisamos de mais políticas na iniciativa privada para incentivarmos a mulher.


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