Está na hora de debater a reabertura das escolas no ES - ES360

Está na hora de debater a reabertura das escolas no ES

O governador Renato Casagrande anunciou nesta quinta-feira, dia 6, algumas mudanças nos horários de funcionamento do comércio, shoppings e restaurantes. Importante, sem dúvida, embora ainda tenha ficado aquém do desejado por esses setores. Mas novamente nada se falou sobre a reabertura das escolas. Segundo o governador, o protocolo já está praticamente pronto e foi produzido por um grupo de estudos montado pela Secretaria da Educação. Ótimo! Então, se já está nessa etapa, está na hora de apresentá-lo para discussão com a sociedade. É necessário reforçar essa frase: o protocolo precisa ser submetido à discussão da sociedade. Porque as questões envolvendo o retorno às aulas são muito complexas para serem apenas anunciadas pelo governo e cumpridas por pais, alunos, professores, funcionários, servidores, donos de vans escolares, prefeitos, vereadores e etc.

Opções e caminhos

Como se vê, a lista é grande. E ela é encabeçada pelos pais porque em outros estados e países deu-se a eles o direito de decidir se seus filhos vão ou não voltar às aulas. Em alguns locais, isso foi regulamentado por resolução, em outros, teve de passar por câmaras municipais. E, lógico, os pais devem ter todas as informações possíveis para tomar sua decisão.

Um ponto leva a outro

A decisão dos pais leva a outra: a eventual ausência dos alunos nas aulas presenciais poderá ser compensada por aulas digitais, assim como deverá ocorrer com outros estudantes. Mas existe a possibilidade de esses alunos não terem acesso aos meios para assistir essas aulas. Se não tiverem, serão obrigados a ir para a escola?

Escala, rodízio…

Essa questão das aulas digitais, aliás, está na base de outra provável solução a ser adotada no retorno das aulas: o rodízio ou escala entre os alunos. Em outras palavras, as regras de distanciamento social determinam a redução pela metade dos alunos nas escolas. Pois quem ficará em casa? Por quanto tempo? Haverá uma escala? E, novamente, como será esse rodízio para quem não tiver condições de acompanhar aulas digitais em casa?

Prefeitos radicais

Em outros estados, a retomada das aulas também passou pela decisão das prefeituras. Pois na região do ABC paulista, formada por sete cidades, decidiram simplesmente pelo retorno apenas em 2021. Só como exemplo: a decisão em Santo André foi tomada após consulta a 21 mil pais e professores – 94% se posicionaram contra o retorno das aulas. Uma situação como essa pode se repetir aqui, não?

E os professores?

Peça básica, fundamental nesse processo, os professores ainda não se manifestaram de maneira contundente sobre o assunto. É conhecido o engajamento da categoria. E em outros estados eles já se posicionaram. No Rio, por exemplo, os professores não retomaram as atividades nas escolas particulares, autorizadas pela prefeitura.

Grupo de risco

Os professores do Rio levantam uma questão comum em todos os lugares: a grande fatia de profissionais integrantes do grupo de risco nas escolas. É de se perguntar: qual será a solução para a necessária proteção de professores e funcionários do grupo de risco? Eles não poderão comparecer às escolas. Quem irá substitui-los? As escolas já têm pessoal suficiente para isso?

Lista sem fim

A relação das dúvidas é enorme. Quais as regras para o transporte de van? Certamente elas não poderão circular lotadas, mas, mesmo assim, como manter o distanciamento entre os alunos dentro dos veículos? E todas essas questões práticas passam longe de outras, tão importantes quanto essas, relacionadas ao conteúdo a ser repassado aos alunos. Como ele será recuperado? Aliás… ele será recuperado?

Respostas

A Secretaria da Educação certamente tem respostas para muitas das questões apresentadas aqui. Provavelmente para todas. A questão é: está na hora de a sociedade tomar conhecimento dessas respostas. Para debater, discutir, discordar, tomar providências. A reabertura das escolas vai muito além dos protocolos. O governo sabe disso. E justamente por saber, deveria abrir esse debate o quanto antes, para eliminar as dúvidas previsíveis e, também e principalmente, as imprevisíveis.

Desobediência

Os donos de bares e restaurantes já anunciam, em redes sociais, a reabertura total de seus estabelecimentos em vários pontos da Grande Vitória. Chegaram a uma conclusão simples: entre correr o risco de ser flagrado e multado pela fiscalização e falir, ficam com a primeira opção…

Opção segura

Os donos de restaurantes, aliás, sabem: em algumas cidades existe a recomendação velada da administração para relaxamento da fiscalização.

Luiz Paulo entra na briga

O Tribunal de Justiça deu sinal verde para Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB) ser candidato a prefeito de Vitória. Pesava contra Luiz Paulo uma condenação por improbidade relacionada ao período no qual foi prefeito da capital. O vice-presidente do TJ, José Paulo Calmon Nogueira da Gama, aceitou os argumentos da defesa e restabeleceu os direitos políticos de Luiz Paulo.

Pesquisa

O ex-prefeito aparece bem em uma pesquisa divulgada em redes sociais: aparece empatado em primeiro lugar com João Coser, na consulta estimulada.

Apoios indesejados

A pesquisa, aliás, traz algumas conclusões importantes e curiosas. Segundo o levantamento, os apoios do prefeito da capital e do governador contarão pouco na escolha do governador neste ano.  E o apoio do presidente Jair Bolsonaro conta negativamente…

A afirmação

“Eu só peço que vocês sejam gentis, pois nós somos muito gentis. Nós entendemos sua preocupação. Tendo vivido tudo o que vocês viveram, vocês querem nos poupar de destruir nossas florestas, como vocês destruíram as de vocês. Vocês querem nos poupar de perseguir índios, nativos. Nós entendemos isso”

(Ministro Paulo Guedes, durante videoconferência realizada pelo instituto Aspen, de Chicago, Estados Unidos)

A imagem

Proposta para nova nota de R$ 200

O deputado Fred Costa, líder do Patriota na Câmara dos Deputados, criou um abaixo assinado online pedindo para o vira-lata caramelo, “o animal mais popular do país”, estampe a nova nota de R$ 200. Segundo Costa, defensor do direito dos animais, são mais de 40 milhões de bichinhos abandonados no país. A grande maioria não tem raça definida.

Antonio Carlos tem 32 anos de jornalismo. E um tempo bem maior no acompanhamento das notícias. Já viu muitos acontecimentos espantosos. Mas sempre se sente surpreendido por novos fatos, porque o inesperado é a maior qualidade das coberturas jornalísticas. E também da vida...

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