Espaços culturais onde seu cão-guia é bem-vindo - ES360

Espaços culturais onde seu cão-guia é bem-vindo

Muitos locais no estado não são de fácil acesso para pessoas com deficiência visual acompanhadas de cão-guia. Lei federal garante permanência do animal em locais públicos e em meios de transporte

Lei federal determina a permanência de cães-guias em ambientes públicos e privados. Foto: Pixabay
Lei federal determina a permanência de cães-guias em ambientes públicos e privados. Foto: Pixabay

Quando planejamos ir a um show, festa ou conhecer de perto aquele artista favorito, a ansiedade é um sentimento quase sempre presente. E quando se trata de uma pessoa que precisa de locais acessíveis, o problema ultrapassa os minutos antes do evento, ele começa na decisão de comprar ou não um ingresso para um determinado evento.

Para a deficiente visual Daniela Costa, 26, saber onde pode entrar ou não com Paco, seu golden retriever, é sempre um desafio. Em setembro, após ganhar ingressos para um show, ela decidiu ir ao evento com uma amiga, que também é tutora de um cão-guia. “Notei que a equipe ficou sem saber o que fazer. Conseguimos entrar e ficamos sentadas em uma cadeira em frente ao palco. Mas o som estava muito alto para o Paco. Também tive medo que pisassem nele”, conta. “Acabamos tendo que ir para outro espaço para assistir ao show”.

Situação que nem sempre é resolvida de forma simples, explica Daniela. Ela conta que os deficientes visuais com cães-guias têm muitos problemas em rotinas simples, como pegar táxi e usar um serviço de motorista por aplicativo. “Quando o motorista chegou e viu o cão-guia, ele resolveu cancelar a corrida… Precisei fazer ameaças de chamar a polícia para ele aceitar”, desabafa.

Embora haja uma lei federal que garante a permanência dos cães-guias em ambientes públicos e privados – a Lei 11.126, promulgada em 2005 -, os deficientes visuais frequentemente relatam episódios de falta de aceitação dos cães.

A presidente do Instituto Luiz Braille do Espírito Santo, Elizabeth Mutz, acredita que as galerias e casas de shows precisam orientar melhor seus funcionários para receber esse público. “Quase nenhum lugar está preparado para atendê-los. Desrespeitam, não são atenciosos nem benevolentes”, alega Elizabeth, que também possui perda total da visão.

“Somos pessoas normais, gostamos de nos divertir e ter passatempos. Queremos estar nesses lugares de lazer”, declara.

Segundo dados do último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Espírito Santo tem cerca de 7.300 pessoas com perda total da visão. Dessas, estima-se que apenas 20 possuem cão-guia.

Sobre o comportamento dos motoristas de aplicativo, o presidente da Amapes (Associação de Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo), Luiz Fernando Muller, reconhece que os deficientes sofrem com o preconceito dos motoristas. “Hoje, passamos a orientação para que aceitem a corrida, respeitando uma legislação que é federal”, ressalva.

Ele alerta também que é importante os tutores dos animais informarem a condição na hora de solicitar a corrida. “Assim, preparamos melhor o ambiente para o cliente e podemos encarar a situação sem surpresas”, afirma.

Treinado para ajudar

Ainda filhote, o cão começa o treinamento com um adestrador, que ensina os comandos específicos para as situações do cotidiano. Depois, o deficiente visual que receberá o animal passa por um treinamento com o cão para aprender a dar todas as instruções. Todo o processo dura, em média, de um ano e meio a dois anos.

locais preparados para receber o cão-guia:

Biblioteca Pública do Espírito Santo: Estrutura com rampa, elevador e sinalizações em braille. Enquanto o cão-guia estiver em serviço, toda a equipe é instruída a não encostar nele. Aos deficientes, são oferecidos 5 mil livros, acesso a computadores adaptados, além de oficinas de krav magá e pintura. Gratuito.
Parque Botânico da Vale: O projeto “Jardim Sensorial” coloca cães e donos em contato com a natureza, intermediados por profissionais.
Centro Cultural Sesc Glória: Elevador, entrada diferenciada e cadeiras reservadas. Todo mês, o Cine Sesc promove sessões do “Cine Novos Sentidos”, no qual exibe filmes com audiodescrição, legendas descritivas e libras.
Museu Vale: Estrutura com elevador, banheiros adaptados e pisos táteis. O visitante faz um passeio em audiodescrição.
Teatro Municipal de Vila Velha: Rampas, piso tátil e entrada específica. Com antecedência, é possível o deficiente escolher o lugar onde irá sentar.

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