Entenda como será o ensino remoto da Ufes - ES360

Entenda como será o ensino remoto da Ufes

Entre os principais pontos, estão o auxílio de inclusão digital, a definição da data de matrícula e mudanças na oferta de disciplinas

Ufes aprova ensino remoto; matrículas para o semestre especial começam dia 31. Foto: Chico Guedes
Ufes aprova ensino remoto; matrículas para o semestre especial começam dia 31. Foto: Chico Guedes

Após os estudantes ficarem cinco meses sem aulas, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) aprovou, nesta terça-feira (18), os últimos detalhes para aderir ao Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial (Earte). A medida, que foi anunciada após seis dias de reuniões, determina a volta às aulas na graduação e pós-graduação por ensino remoto.

O calendário aprovado estipulou o período de 31 de agosto a 2 de setembro para que os estudantes possam efetuar a matrícula para o semestre letivo especial de 2020. Conforme aprovado na sessão realizada na última sexta-feira (14), foi mantido o início do semestre letivo especial no dia 9 de setembro, com término no dia 15 de dezembro.

O Cepe ainda aprovou que a Administração Central da Ufes deverá garantir a inclusão digital dos estudantes que não possuam equipamentos e periféricos adequados (notebook ou desktop) e/ou as condições de acesso à internet que permitam a efetiva participação nos processos de ensino-aprendizagem, o que já está em andamento por meio das chamadas de cadastro para os editais de Auxílio Inclusão Digital Emergencial – Graduação, Pós-Graduação e Acessibilidade.

Também foi regulamentado que o retorno das atividades presenciais, quando possível, deverá ser publicamente divulgado com antecedência mínima de 15 dias.

A Pró-Reitora de Graduação, Cláudia Gontijo, explica que o modelo é temporário e possui particularidades quanto aos outros sistemas de aula EaD. “O Earte é um modelo de ensino que usa tecnologias de comunicação e de informação como espaços de ensino-aprendizagem. Ele se diferencia da educação à distância, porque, no Earte, o docente é o responsável pela escolhas das bibliografias, das metodologias de ensino a serem adotadas e, também, das plataformas em que ocorrerão as interações”, explica a pró-reitora.

Nesta quarta-feira (19), o Cepe realizou nova reunião para detalhar aspectos como a flexibilização de normas acadêmicas para o ingresso em disciplinas e os encargos docentes. A Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) informou que após a finalização das decisões, apresentará aos estudantes os seus direitos e deveres por meio de lives.

Entenda o que ficou definido:

Matrícula

Ficou definido que não fazer a matrícula ou cancelar todas as disciplinas no semestre especial não deve configurar abandono da instituição. Dessa forma, não haverá prejuízos em relação à manutenção de bolsas de pesquisas e auxílios estudantis, uma vez que a matrícula do estudante continuará ativa perante a universidade.

Os calouros que ingressam na Ufes no segundo semestre de 2020 poderão se matricular apenas quando esse período letivo for ofertado. A previsão da Prograd é que ele tenha início em fevereiro do ano que vem, no entanto, este tema ainda será tema de discussão futura no Cepe.

Oferta de disciplinas

Para manter a qualidade do ensino ofertado, o Earte prevê que a quantidade de vagas por turma não poderá exceder a oferta que já era feita. Se uma disciplina oferecesse 30 vagas antes da pandemia, poderá ter apenas a mesma quantidade de alunos, ou o curso deverá optar pela criação de turmas duplicadas. Uma matéria que regularmente oferece 40 vagas, por exemplo, poderá ter duas turmas de 30 alunos, mas não é permitido abrir uma única turma com 60 estudantes.

Já sobre a questão do horário de oferta de disciplinas, ficou aprovado que os departamentos dos cursos terão que definir se uma disciplina vai ser ofertada ou não. Em caso positivo, ela deverá ser feita no horário previsto pela grade curricular. Agora, se o professor quiser abrir uma segunda turma, ele precisará fazer isso em um horário diferente.

Estágios

Outro ponto discutido na reunião aprovou a possibilidade da realização de estágios presenciais obrigatórios para os estudantes na área da saúde, o que já foi autorizado pelo Ministério da Educação na portaria 544/2020. Há ainda os estágios curriculares não-obrigatórios, aqueles que os estudantes podem fazer independente da grade de disciplinas dos cursos. Para esses não houve, no entanto, qualquer regulamentação sobre as atividades presenciais.

Avaliação

A forma de avaliar os alunos também deve ter alterações em meio à pandemia. A Ufes propôs, com base nas orientações dos órgãos de saúde pública, a adoção de instrumentos de avaliação que não exijam a presença física dos estudantes na instituição. Porém, isso será discutido com mais detalhes com cada curso e seus respectivos professores.

A universidade não deixou claro como vai garantir que todos os alunos tenham acesso ao conteúdo disponibilizado online.

Auxílio digital

No total, a Ufes reservou R$ 4 milhões em seu orçamento atual para prover as necessidades de equipamentos e pacotes de dados. Em uma coletiva de imprensa feita nesta quarta-feira (19), o reitor Paulo Sérgio Vargas afirmou que os estudantes poderão ser contemplados com bolsas de valor aproximado entre R$ 1.200 e R$ 1.400, para adquirir equipamentos de forma parcelada, com a configuração que lhe parecer mais interessante. O estudante beneficiado terá de comprovar a aquisição do equipamento, que permanecerá com ele após o fim desse período para a continuação de seus estudos.

De forma complementar, a universidade também prepara uma ação para receber doações de equipamentos usados, em bom estado, de instituições públicas e privadas, que poderão ser ofertadas aos estudantes. Uma ação de extensão, realizada em parceria pelo Centro Tecnológico (CT) e pela Pró-Reitoria de Extensão (Proex), já recuperou 50 computadores da própria Ufes que estavam em desuso e pretende continuar trabalhando com materiais doados.

Pró-Graduação

Com relação à pós-graduação, o pró-reitor, Valdemar Lacerda, indicou que diversas atividades continuaram no período de isolamento, com a realização de cerca de 300 qualificações e 300 defesas de mestrado e doutorado. Paralelamente, tiveram continuidade projetos de pesquisa, inclusive com a realização de novos editais focados na covid-19.

“Na pós-graduação, há programas com calendários acadêmicos diversos do padrão da Universidade. Os colegiados de cursos que queiram dar continuidade ao semestre iniciado em fevereiro ou março poderão fazê-lo, desde que contem com a aquiescência da maioria dos alunos matriculados e a aprovação do colegiado do curso”, explicou Lacerda. Ele acrescentou que o colegiado tanto pode continuar o semestre 2020/1 e em seguida abrir 2020/2, quanto cancelar 2020/1 e abrir um novo semestre letivo.


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