Entenda como funcionava a quadrilha que movimentou R$ 802 milhões no ES - ES360

Entenda como funcionava a quadrilha que movimentou R$ 802 milhões no ES

Segundo a Polícia Civil, o grupo lavava dinheiro por meio de empresas de fachada e a partir de contratos falsos enviava os valores para a China e EUA

Coletiva de imprensa concedida pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (17). Foto: Reprodução/Governo do ES
Coletiva de imprensa concedida pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (17). Foto: Reprodução/Governo do ES

 

A falsificação de documentos de identidade foi a pedra fundamental da organização criminosa com sede no Espírito Santo responsável por movimentar mais de R$ 800 milhões por meio da lavagem de dinheiro. O grupo foi desmantelado na última terça-feira (15) pela Polícia Civil em uma mega operação realizada simultaneamente na Grande Vitória e nos estados de São Paulo, Ceará e Alagoas.

Em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (17), o delegado titular da Delegacia de Furto e Roubo de Veículos, Ricardo Toledo, detalhou o fato que motivou o início das investigações. De acordo com ele, tudo se deu a partir do registro de um boletim de ocorrências sobre o roubo de um caminhão em novembro de 2018.

Os investigadores, então, se depararam com um esquema de fraude de seguros. O veículo, na verdade, não existia fisicamente. Porém, estava cadastrado no banco de dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e no Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores).

“A partir do momento que identificamos essa empresa (suposta dona do caminhão), fizemos um relatório de inteligência e identificamos outras diversas empresas com as mesmas características. E ao analisarmos pontualmente cada uma delas, vimos que seus proprietários usavam identidades falsas; materialmente verdadeiras, porém com dados falsos”, explicou Toledo.

Após uma busca no registro dos cartórios, os policiais descobriram que as identidades eram feitas a partir de certidões de nascimento falsas. “Eles utilizaram a vulnerabilidade do setor de emissão desses documentos. Em decorrência da falta de efetivo, o Estado conta com servidores não policiais para fazer esse tipo de serviço. E uma servidora da prefeitura de Afonso Cláudio que trabalhava com isso conseguiu criar toda essa documentação para falsificar as identificadas”, disse o delegado.

Em diligências aos endereços dessas empresas, os policiais chegaram a se deparar com salas vazias. E a partir de medidas cautelares, analisaram mais de 48 mil transações bancárias dos investigados constatando um esquema de lavagem de dinheiro.

De acordo com Ricardo Toledo, o grupo criminoso recebia de 30 a 50 depósitos por dia, de mais 20 contas bancárias com origem em mais de 18 estados brasileiros. “Para justificar a transferência de valores, eles forjavam contratos de prestação de serviço. O grupo emitia notas fiscais e pagava impostos da forma correta. Mas na verdade serviço algum era praticado, até porque a maioria dessas empresas nem existiam fisicamente”.

Por fim, o grupo ainda falsificava faturas comerciais internacionais por meio de contratos de prestações de serviços com empresas chinesas e americanas. Dessa forma, o dinheiro saía do Brasil de forma legal, com o conhecimento das autoridades de fiscalização. Porém, era tudo baseado em informações falsas. Em um período de seis meses, o grupo movimentou mais de R$ 800 milhões.

Engenharia financeira empregada pela organização criminosa para a lavagem de dinheiro. Foto: Reprodução/Sesp
Engenharia financeira empregada pela organização criminosa para a lavagem de dinheiro. Foto: Reprodução/Sesp

Os clientes do grupo criminoso

Segundo a Polícia Civil, uma empresa do Rio de Janeiro denunciada pelo Ministério Público pelo desvio de R$ 98 milhões de ICMS era uma das clientes do grupo criminoso. “Desse total, comprovamos que pelo menos R$ 14 milhões foram lavados pela estrutura capixaba”, disse Toledo. Ainda de acordo com o delegado, pelo menos quatro empresas identificadas já haviam sido investigadas pela Polícia Federal na operação Lava Jato.

Prisões

Três pessoas foram presas no Espírito Santo. De acordo com a Polícia Civil, um quarto envolvido que estava sendo investigado morreu durante o ano em decorrência da covid-19.

A Polícia prendeu também um empresário de São Paulo que foi identificado como o proprietário de uma das duas empresas dos Estados Unidos que recebiam os valores finais da lavagem de dinheiro. O dono da segunda empresa foi localizado em Miami, no estado norte-americano da Flórida. Sua prisão será solicitada à Interpol.

Já os envolvidos no esquema com sede na China não foram identificadas pois o Brasil não possui Acordo de Cooperação Política Internacional com o país chinês.

Confira um balanço das investigações

Valores movimentados analisados: R$ 802.044,283,79;
Número de movimentações analisadas: 48.333;
Empresas de fachada/fictícias: 6;
Empresas investigadas: 14;
Prisões preventivas: 18;
Prisões temporárias: 5;
Mandados de Busca e Apreensões: 30;
Contas Bloqueadas: 38;
Valores bloqueados: não foram divulgados;
Veículos apreendidos: 3 carros de luxo, 11 lanchas, 12 moto náuticas e imóveis;
Estados envolvidos: ES, SP, AL e CE;
Países para a lavagem de capitais: Brasil, EUA e China;
Número de agentes envolvidos: 118.

Confira a entrevista coletiva da Polícia Civil


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