Eleições para o Senado dos EUA na Geórgia: por que são importantes e quando terminam? - ES360

Eleições para o Senado dos EUA na Geórgia: por que são importantes e quando terminam?

O controle do Senado dos EUA está em jogo. Se os democratas vencerem as duas disputas, o presidente eleito Joe Biden terá uma grande oportunidade de construir um legado progressista

Mais de 81 milhões de americanos votaram em novembro passado para dar a vitória a Joe Biden como presidente. Mas o destino da presidência de Biden pode se resumir a um segundo turno das eleições para o Senado dos EUA, que acontecerá no estado da Geórgia nesta terça-feira, 5.

O controle do Senado dos EUA está em jogo. Se os democratas vencerem as duas disputas, o presidente eleito Joe Biden terá uma grande oportunidade de construir um legado progressista.

Se os democratas perderem uma ou ambas as disputas, o país entrará em um período de pelo menos dois anos de governo dividido, com o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, mantendo o poder e provavelmente frustrando a agenda de Biden.

Se os democratas vencerem as duas disputas, o Senado será dividido em 50/50, metade democrata, metade republicana, mas os democratas controlariam efetivamente o Senado, com Kamala Harris, a vice-presidente eleita, usando seu papel de presidente do Senado, rompendo eventuais impasses e bloqueios do Partido Republicano.

Os candidatos republicanos incluem um senador em exercício – a já nomeada Kelly Loeffler, de 50 anos – e um senador cujo mandato acabou de terminar, David Perdue, de 71 anos.

Desafiando os republicanos estão os rostos novos do lado democrata. O documentarista Jon Ossoff, de 33 anos, ex-membro do Congresso e candidato derrotado à Câmara, concorrendo para substituir Perdue, enquanto o pastor de Atlanta e candidato pela primeira vez, o reverendo Raphael Warnock, de 51 anos, concorre para destituir Loeffler.

As corridas de segundo turno estão sendo realizadas de acordo com as leis eleitorais estaduais porque nenhum candidato em nenhuma das duas disputas obteve 50% dos votos nas eleições de novembro.

O controle do Senado daria a Biden sua melhor chance de assinar novas legislações importantes em questões-chave como mudanças climáticas, imigração, direito a voto, pobreza e justiça racial.

Mas mesmo duas vitórias democratas na Geórgia não significariam que Biden poderia implementar facilmente uma agenda legislativa progressista, porque democratas de centro no Senado poderiam romper com o partido em votações apertadas em questões polêmicas.

Uma vitória democrata na Geórgia também representaria uma derrota a Donald Trump, e ainda seria uma importante vitória para ativistas e organizadores que trabalharam para fazer os eleitores democratas votar e fazer da Geórgia, um estado tradicionalmente republicano, se tornar democrata. Biden foi o primeiro candidato presidencial democrata a vencer no estado desde 1992.

O presidente é uma incógnita nas corridas da Geórgia. Até agora, seu principal papel tem sido o de atacar a integridade do voto e espalhar no Twitter teorias conspiratórias sobre a eleição.

Os republicanos do estado temem que muitos eleitores republicanos não compareçam às urnas para votar. O temor se deve aos contínuos ataques de Trump ao processo democrático e à votação que, segundo analistas e alguns republicanos, possa desencorajar os eleitores republicanos.

A divulgação, no domingo, de uma gravação da conversa de uma hora em que Trump pressionou o secretário de estado da Geórgia, Brad Raffensberger, um republicano, a anular o resultado da eleição presidencial, também pode afastar eleitores republicanos moderados.

Mas um comício de 11 horas de Trump na Geórgia na noite de segunda-feira garantiu que o presidente e sua mensagem estariam no centro das atenções no dia da eleição.

Não se sabe quem lidera. A lisura das pesquisas ficou seriamente prejudicada, e os analistas políticos estão analisando os números das votações iniciais, as votações pelo correio e os totais de eleitores para tentar descobrir o que está acontecendo.

Um recorde de 3 milhões de pessoas participou da votação antecipada, que começou em 14 de dezembro, geralmente considerada um bom sinal para os democratas. Cerca de 100.000 desses eleitores votaram pela primeira vez – também considerado um bom sinal para os democratas que buscam expandir o eleitorado estadual além de suas raízes republicanas tradicionais.

Mas os republicanos dizem que seus eleitores estão alertas para o que está em jogo e se preparando para uma grande participação no dia das eleições. No passado, os republicanos geralmente eram melhores em atrair eleitores em eleições anteriores e posteriores.

Os locais de votação ficarão abertos até às 19h (21h em Brasília). Mas, a votação só se encerra quando todos que estão na fila para votação depositarem seu voto – o que pode estender o fechamento das urnas para bem depois do horário oficial.

Assim como nas eleições de novembro, a votação antecipada não se traduz necessariamente em resultados antecipados. Por lei estadual, a contagem das cédulas não pode começar até que as urnas fechem. Cédulas militares e estrangeiras chegando até sexta-feira poderão ser contadas.

Isso significa que os resultados podem levar dias, dizem as autoridades eleitorais. As eleições de novembro na Geórgia foram extremamente acirradas, com a vitória de Biden no estado não sendo projetada pelas redes de televisão até 10 dias depois das eleições.

Analistas alertam que pode ocorrer outra dinâmica da eleição de novembro, a chamada “miragem vermelha”: os republicanos aparecem com grande liderança no começo da apuração, por causa da força do comparecimento de eleitores republicanos no dia da votação, apenas para perder terreno conforme a apuração das cédulas enviadas pelo Correio e de votantes ausentes são contadas.

O processo será similar ao da eleição de novembro. Após o fechamento das seções eleitorais, a contagem de votos em nível distrital e de condado começarão a chegar. As organizações de mídia devem fazer suas tradicionais projeções e anunciar os vencedores o mais rápido possível.

Se os democratas perderem, eles podem emitir declarações de concessão, ao passo que, dada a tendência da política nacional, os candidatos republicanos podem não ceder se perderem, preferindo alimentar alegações falsas e corrosivas de fraude eleitoral. Em última instância, o estado certificará seu resultado eleitoral e enviará dois senadores a Washington.

Ninguém espera que os republicanos aceitem os resultados das eleições. Se Loeffler ou Perdue perderem, espera-se uma luta em várias frentes nos tribunais, na mídia e na capital do estado, semelhante à luta que Trump travou após sua derrota em novembro

Estadão Conteúdo


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