Eleição 2020: segurança pública é aposta do candidato Pazolini para Vitória - ES360

Eleição 2020: segurança pública é aposta do candidato Pazolini para Vitória

O delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos) traz na chapa uma capitã da Polícia Militar (ES), Estéfane Ferreira, como vice-prefeita

Delegado Lorenzo Pazolini concorre ao cargo de prefeito de Vitória. Foto: Tati Beling/ALES

Um dos representantes da ala conservadora à prefeitura de Vitória, a trajetória política do deputado estadual e delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos) tem como ponto de partida a segurança pública. E não seria diferente durante sua campanha à principal cadeira do Executivo municipal, que ainda traz na chapa uma capitã da Polícia Militar (ES), Estéfane Ferreira, como vice-prefeita.

Segundo uma matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (21), o delegado teria acompanhado dois assessores da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, até o município de São Mateus, para tentar convencer conselheiros tutelares a retardar a interrupção da gravidez da menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio. A presença do parlamentar chegou a ser compartilhada no Twitter da ministra.

Acima de tudo isso, o delegado lembrou em nota que é presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia Legislativa do Estado, diz que esteve em São Mateus para acompanhar pessoalmente o caso para somar forças e garantir que todos os direitos de desenvolvimento da criança fossem cumpridos.

Pazolini, que atualmente é deputado estadual em seu primeiro mandato, ex-auditor do Tribunal de Contas do Estado e delegado de Polícia de carreira e disse que vai trazer a experiência para cuidar do município, reduzindo gastos e priorizando saúde, educação e segurança pública.

Motivação

“O que me move, nesse desejo de ser prefeito da capital do estado, é retomar o diálogo da cidade com o cidadão. A cidade precisa ser aberta, participativa. O cidadão tem que voltar a ser protagonista. Hoje, infelizmente, Vitória se fechou. Não é mais receptiva aos investimentos e à sociedade. O cidadão, efetivamente, não é ouvido pela administração. As decisões são tomadas em gabinetes,  a quatro paredes, com duas ou três pessoas. E isso é imposto à sociedade. É essa imposição que nós queremos mudar. Além disso, Vitória perdeu protagonismo no campo econômico, social e na insegurança pública que dominou a nossa cidade. Isso nos leva e nos motiva a colocar nossa pré-candidatura, para trazer, se Deus quiser, um ambiente mais favorável aos moradores de Vitória.”

Participação dos cidadãos

“Nós criamos uma plataforma digital que já recebeu mais de 1.800 sugestões, o “Uma ideia para Vitória”. Através desse movimento, as pessoas podem interagir, acessar, propor sugestões, críticas e fazer elogios. Tudo isso é debatido com uma equipe de especialistas. Além disso, nós temos ações presenciais. Esse mesmo movimento vai às ruas, e também interagimos pessoalmente com as pessoas. Queremos trazer de volta o ambiente democrático, abrir a discussão para o morador de Vitória, a fim de que sua opinião seja considerada e seja criada uma proposta junto com a equipe técnica”.

Investimentos

“É preciso muito cuidado com as contas públicas e, para isso, vou trazer minha experiência. Fui auditor concursado do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Para cuidar de uma cidade, é necessário saber cuidar de contas. Tive a oportunidade de lidar com as contas de 78 municípios do Espírito Santo. Atuamos no controle, na fiscalização e formulação de políticas públicas. Então, inicialmente, nós vamos realizar uma auditoria, para ver essa questão do empréstimo do município. Temos informações de que grande parte desse recurso do empréstimo ainda não foi utilizada, mas, ao mesmo tempo, o município está pagando juros, encargos e correção monetária. A partir dessa auditoria, teremos um norte seguro e objetivo de onde teremos que cortar. Mas, certamente, nossas prioridades são saúde, segurança e educação. Vamos reduzir os gastos públicos necessários para priorizar esses temas e o que impacta a vida do cidadão.”

Mobilidade urbana

“Nós tivemos a implementação da Linha Verde, e olha o que a cidade passou. Virou um caos, durante mais de duas ou três semanas. Isso por uma questão que não foi debatida, o cidadão não foi ouvido. É preciso ouvir todos. Não dá para implantar uma política pública sem conversar com o cidadão. Além disso, há a questão da central semafórica. Nós temos, hoje, um grande para e anda. Por quê? A pessoa não encontra um sinal sincronizado, quando um fecha, o outro abre. Tudo isso é muito marcante na nossa cidade. Também precisamos de uma melhor qualidade do transporte coletivo. Os ônibus, em muitas linhas, estão lotados ou passam em horários desnecessários. É o eixo básico para que possamos ter a fluidez do trânsito. Junto com tudo isso, há a necessidade da integração do sistema municipal com o Transcol, reduzindo o tempo de deslocamento dentro da nossa cidade.”

Segurança

“O cidadão de Vitória se lembra do que vivemos recentemente: a invasão à avenida Leitão da Silva. A cidade foi dominada por bandidos, numa manhã de sexta-feira. A Marechal Campos e Serafim Derenzi sofrerem um ataque orquestrado. Isso mostra a presença muito marcante do crime organizado na capital. O crime só se faz presente quando há uma omissão das autoridades. É preciso levar esse debate para dentro da prefeitura. Por isso, na minha equipe, terei uma capitã da Polícia Militar (PM). Vamos levar esse debate para dentro do gabinete, o prefeito vai ser protagonista dessas ações, de fato. Vitória dispõe de uma guarda municipal que tem toda a condição de colaborar. Olhe o resultado que temos em Vila Velha: a guarda de lá é eficiente, presente, faz a diferença na vida do cidadão. É esse o resultado que vamos entregar em Vitória, ou seja, o cidadão vai ter segurança no ir e vir, vai saber a quem recorrer. Mas segurança pública não é só PM e guarda municipal. Temos que reforçar também o eixo da prevenção: iluminação pública, iluminação de terrenos baldios…”

Turismo

“Vitória hoje é desconhecida nacionalmente e internacionalmente. Ela era conhecida como a ‘Mônaco brasileira’ por causa da fórmula Renault, mas perdemos o circuito de vôlei de praia, o futebol de areia – referência nacional –, e isso atrai a população. É veiculado por todos os lados, o que deixam as pessoas curiosas quando veem as imagens. Para atrair o turista, precisamos retomar o protagonismo da cidade. Perdemos, também, as questões dos cruzeiros turísticos. A cidade foi se fechando ao turista, ela não é mais uma cidade cosmopolita, que recebe bem as pessoas. Temos que capacitar os profissionais dessa área, como donos de restaurantes, bares, eventos, enfim, toda essa cadeia produtiva que é responsável por receber o turista. Se ele for acolhido, certamente retornará, e o recurso começa a circular na cidade. Assim, geraremos uma grande gama de empregos neste período de pós-pandemia. É uma grande alavanca para gerar renda na cidade.”

Coligações

“O que tem de verdadeiro é o que está posto. Hoje, temos alianças sólidas, com partidos de expressão que nos garantem a candidatura. Não temos problemas nenhum em relação a isso. Sou deputado estadual de primeiro mandato, estou há pouco tempo na política, mas quero trazer as experiências de toda a vida profissional. O fundamental é debater a cidade. De resto, o que circula são notícias do meio político, mas muito mais especulações e conversas de bastidores, que, naturalmente, fazem parte do contexto. É um jogo político, se posso assim dizer. Dialogamos, sim, com a vereadora Neuzinha, mas respeitamos as decisões do PSDB. O partido decidiu, de maneira interna, pela candidatura própria, e nós respeitamos a decisão deles. Já o contato com o ex-governador Paulo Hartung não ocorreu.”

Projetos como deputado

“Já aprovados, nós tivemos o projeto que modificou a questão tributária, garantindo renda para o Espírito Santo. A questão do IPVA de veículos de locadoras. É um projeto de Lei da nossa iniciativa que, hoje, modificou a lei tributária, aumentando a arrecadação. Obriga os veículos de locadoras a serem emplacados no estado. É um mecanismo importante de arrecadação. Os veículos eram emplacados em outros estados da federação, mas rodavam no Espírito Santo, usando nossas vias e asfaltos. Além disso, temos uma lei em relação ao cadastro estadual de pedófilos, que foi mapeada agora pelo Congresso Nacional. Será criada o cadastro nacional de pedófilos.”

Caso de menina de 10 anos

“A nossa participação foi a que a população capixaba conhece: a proteção social das crianças e dos adolescentes. Sou presidente da Comissão de Proteção a Criança e ao Adolescente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Ocorreu um crime gravíssimo neste estado. Uma criança de 10 anos estava grávida. Minha obrigação legal e constitucional é amparar a vítima, estar ao lado dessa criança. E foi o que eu fiz. Fui a cidade de São Mateus, mas não me encontrei com a criança, não estive com nenhum familiar nem sabia o nome dela. Mas fui até lá para garantir e efetivar direitos, junto às autoridades. Existe um documento oficial dizendo que não há qualquer apuração ao nosso nome, muito pelo contrário. Nós tiramos de circulação mais de 400 pedófilos do nosso estado, e nunca houve a divulgação de qualquer nome ou sigla das vítimas. Tenho documentos que comprovam. Já tive vários casos como esse, até com crianças com menor idade. Nesse país, infelizmente, ninguém olha pelas vítimas. Ressalto que o investigado deve ter seus direitos garantir, mas, quando ele ingressa no sistema penitenciário, tem assistente social, dentista e nutricionista à disposição. E o que a vítima tem? Absolutamente nada. Eu cansei de custear transporte de vítima para poder voltar ou ir ao IML fazer exames. Tenho famílias que até hoje me agradecem. A minha vida diz e o povo conhece a minha atuação. Jamais faria isso [divulgar o nome da criança].”

Ouça a entrevista completa:


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