Dia de Combate à Poluição é celebrado nesta quarta-feira - ES360

Dia de Combate à Poluição é celebrado nesta quarta-feira

Segundo a professora do departamento de Geografia da Ufes, Cláudia Câmara do Vale, se não houver preocupação com os danos provocados ao meio ambiente, a Terra poderá se tornar inabitável

Claudia Câmara do Vale, professora do departamento de Geografia da Ufes
“Se não fizermos o caminho inverso, tornaremos
a Terra inabitável”, diz a professora da Ufes Cláudia Câmara do Vale. Foto: Arquivo pessoal

No Brasil, 76% da população vive em cidades e respira diariamente diversos tipos de poluentes, segundo a ONU Meio Ambiente (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Mas, além da poluição atmosférica, quem mora nos centros urbanos também está mais sujeito a outros tipos de poluição, como a sonora e a visual.

Do pó preto ao ruído dos carros nas ruas, tudo pode afetar nossa qualidade de vida e nossa saúde, explica a professora do departamento de graduação e pós-graduação em Geografia da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), Cláudia Câmara do Vale.

Na próxima quarta-feira, dia 14, é celebrado o Dia de Combate à Poluição. Saiba mais sobre os tipos de poluição a que estamos sujeitos e as consequências para o nosso futuro.

Quais são os principais tipos de poluição?
Podemos dividir a poluição em três grandes grupos: a poluição atmosférica, a poluição das águas e do solo, e a poluição sonora e a visual. A atmosférica, no Brasil e especialmente no Espírito Santo, é bastante explicada pela emissão de partículas das indústrias. Na Grande Vitória, a atividade industrial de beneficiamento do aço e do ferro geram uma quantidade quase insuportável de partículas em suspensão na atmosfera. Essas partículas permanecem em suspensão até que cheguem ao chão, poluindo também o solo e a água. Nas grandes cidades, outra contribuição importante é dos automóveis, devido ao uso dos combustíveis fósseis e à consequente emissão de partículas danosas à saúde.

A contaminação da água e dos solos é também uma consequência desses processos?
Sim, mas os solos e os oceanos são afetados principalmente pelo uso de agrotóxicos, pelo descarte de efluentes de indústrias e residências e pelo elevado consumo de plástico no mundo. Embora haja uma maior conscientização, hoje, a respeito da importância da reciclagem e do uso de produtos biodegradáveis, a produção e consumo de plástico no mundo ainda é um problema grave a ser combatido, inclusive nos países desenvolvidos. Ele afeta os oceanos a ponto de já se estimar que, em 2050, teremos mais plásticos do que peixes nos mares de todo o mundo.

Como a poluição sonora e visual afetam a nossa saúde?
Barulhos constantes de carros, ônibus, de construção civil e outros comuns nas cidades podem alterar nossa qualidade de vida, o sono, o conforto e levar até mesmo a problemas auditivos. Já a poluição visual, que é gerada, por exemplo, pelo excesso de outdoors, de fios elétricos e por grafismos sem arte, podem interferir na forma como nos sentimos acolhidos pela cidade e também na nossa qualidade de vida.

Que problemas de saúde sabe-se que a poluição pode provocar?
Do ponto de vista da poluição atmosférica, são principalmente problemas respiratórios. Na Grande Vitória, é comum casos de pessoas com rinite alérgica. O uso de agrotóxicos tem consequências a longo prazo na contaminação do organismo, podendo levar ao desenvolvimento de doenças como câncer e problemas digestivos. De modo geral, a poluição da água e do solo podem ter como consequências problemas gastrointestinais.

É possível reverter esse problema?
Acredito que sim. Já vivemos períodos mais graves, em que não havia qualquer preocupação com os danos que estávamos provocando ao meio ambiente. Quando a população passou a sentir os malefícios da poluição, cerca de 50 anos atrás, começamos a agir. Agora, chegamos a um momento de ruptura, em que se não fizermos o caminho inverso, tornaremos a Terra inabitável. E acredito que a atitude das pessoas está mudando, que há uma perspectiva positiva. As pessoas estão mais atentas à questão ambiental e mais ativas na cobrança dos legisladores.

E o papel do poder público?
O Brasil hoje possui uma boa legislação ambiental, mas ainda não cumpre. Falta fiscalização para que as leis sejam colocadas em prática e cumpridas.

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