Desigualdade no país: proposta de redação da coluna, às vésperas do Enem, continua rendendo... - ES360

Desigualdade no país: proposta de redação da coluna, às vésperas do Enem, continua rendendo…

Na semana da prova de redação do Enem, a coluna LINGUAviaGEM lançou a seguinte proposta: Desigualdade social em alta: o que está em jogo? Dentre as redações enviadas pelos estudantes para a avaliação, chegou a contribuição do ex-deputado e secretário especial do Desenvolvimento Social, Lelo Coimbra, com uma leitura dos dados divulgados recentemente sobre a questão, tão importante para o desenvolvimento do País. Trata-se de um viés um pouco diferente do que encontrei até agora e, também por isso, vale o compartilhamento na busca de enriquecer o debate.
Passo a reproduzir aqui, com a devida autorização do autor, o texto encaminhado a este espaço.

  • Envio algumas contribuições sobre o tema proposto.
  • 1- Os dados da PNAD Contínua, recém-divulgados, não traz nada novo, apenas confirma a desigualdade social, histórica no País.
    2- Uma discreta alteração do índice de gini [coeficiente que mensura a desigualdade social dos países] de 2015 a 2018 não tem tanta relevância para a discussão do tema “desigualdades….” e está conectado à recessão que se abriu de 2014 em diante.
    3- A pergunta que fica é “o que tem sido feito ao longo das últimas décadas e pode ser feito para modificar essas desigualdades”?
    4- Acho que a constatação de que não é novo esse diagnóstico remete a que teu [no caso, a coluna] foco seja provocar contribuições ao debate, buscando a evolução das desigualdades na linha do tempo, e que medidas de governos contribuíram para a superação (destaques nossos).
    5- Outro aspecto: como a pesquisa põe como teto da renda o limite constitucional de salário, me parece haver um foco nos servidores públicos como os mais ricos do País. Dessa forma, os dados apresentados vão para o debate de reformas em curso no Congresso Nacional.
    7- Seguindo nesta linha, as reformas fazem parte do enfrentamento das desigualdades, embora, pela esquerda, sejam tratadas como “neoliberais”;
    8- Alguns dados são importantes para tua referência:
    a) somos 218 milhões de brasileiros, dados atualizados pelo IBGE;
    b) destes, temos 73 milhões de brasileiros no Cadastro Único, cuja referência é
    de brasileiros com renda de até R$ 178,oo/per capita/mês. Esse cadastro permite
    acesso aos 28 benefícios sociais que o governo brasileiro oferece Bolsa Família,
    Minha Casa Minha Vida etc.);
    c) ainda como fração dos que estão no Cad Único, temos 13.5 milhões de famílias
    (43 milhões de brasileiros) no Bolsa Família, que é pago para quem tem renda
    de até R$ 88,oo/per capita/mês.
    9- Por fim, consideramos que temos três importantes medidas para o combate à pobreza
    no Brasil, desde os anos noventa:
    a) Aposentadoria Rural – coloca em torno de R$ 120 bilhões/ano para esse público;
    b) Benefício de Prestação Continuada – BPC- pagos para quem completou 65 anos
    e não tem renda e deficientes físicos – coloca R$ 55 bilhões/ano para 4.6 milhões
    de beneficiários;
    c)Bolsa Família, que paga R$ 32 bilhões/ ano acrescidos de R$ 2.5 bi a partir de 2018,
    correspondente ao décimo terceiro;
    10 – Um tema importante está na mensuração do mercado informal de trabalho e
    economia solidária, este mais mensurável é o primeiro e desconhecido, desde
    2006 o IBGE não mede a informalidade no País. A importância desse tema está em
    que há várias estratégias de sobrevivência nas famílias pobres que desconhecemos
    suas medidas. A informação de renda dos cadastrados no Cad Único e BF são
    declaradas, não comprovadas.
    […]
    Espero ter contribuído, estou à disposição!
  • Abraços,
    Lelo Coimbra.

 
A coluna agradece o retorno do ex-deputado e espera que suas informações e leituras possam contribuir para o debate sobre o importante tema.

  • O nome – LINGUAviaGEM – é referência ao poema de Augusto de Campos, de 1967-1970, que concretiza bem os propósitos deste espaço.

Professora de Português, Literatura e Redação. Tem o prazer de ensinar (e aprender) a ler e a escrever há mais de 30 anos.

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