De volta aos estúdios, banda Cinco Nós celebra novo disco - ES360

De volta aos estúdios, banda Cinco Nós celebra novo disco

Depois de 10 anos, grupo lança seu segundo disco "Cria", promessa para repaginar o pop rock do Estado

Banda Cinco Nós
Grupo se apresenta neste sábado (20), em Domingos Martins, na região Serrana. Foto: Divulgação

Nem parece que a banda Cinco Nós esteve longe dos estúdios por quase uma década. Seu novo trabalho, “Cria”, lançado em abril deste ano, é o segundo disco do grupo, mas já virou promessa para repaginar o pop rock do estado. Batidas eletrônicas e os pesados rifles de guitarra lembram a crueza de bandas como Audioslave, apresentando canções que falam sobre religiosidade, amor e espiritualidade. O ES360 conversou com o vocalista Nano Vianna para saber detalhes da produção do disco, o segundo show de lançamento que acontece neste sábado (20), em Domingos Martins, e o hiato de quase 10 anos longe dos estúdios.

Depois de 9 anos, o Cinco Nós lança um novo álbum de estúdio. São canções inéditas, engavetadas, um mix…?
Lançamos nosso primeiro álbum, o “Musiqualidade” (2010), com músicas engavetadas desde quando comecei a compor. Fizemos mais ou menos 2 anos de turnê dele; depois, lancei meu trabalho solo, chamado “Desatado” (2014), que não é parecido com o trabalho do Cinco Nós… É um disco de violão, cordas, piano, não tem bateria e é intimista. Já em 2016, lançamos o EP “3×4”, com seis faixas que hoje integram o “Cria”. Agora, além delas, tem quatro inéditas, compostas com tudo que tínhamos de referência.

Dá para perceber muitas influências no álbum. Em “Vivo”, por exemplo, não dá para deixar de perceber uma pegada meio Nickelback, Audioslave… Essas bandas são referências?
Cada um tem sua referência: a minha é Chico Buarque, Michael Jackson, Bon Jovi… O nosso guitarrista já vai pro metal do Iron Maiden e do Metallica. Nós queríamos fazer um álbum mais rock. Foi completamente intencional. A ideia era trazer uma beleza permeada por letras românticas, mas punk nos arranjos e na forma de cantar.

Não só nas letras, mas essa beleza também está no design do disco.
Você conseguiu identificar a referência? É o “Nascimento de Adão”, do Michelangelo. Nossa proposta é colocar Deus como uma mulher – pois acho que realmente seja – dando seu toque à criação. Mas acho que também há uma troca entre criador e criatura: você pode criar suas próprias convicções, suas próprias leituras e seus próprios deuses. Tem muita religiosidade nas canções.

É o caso da música com o André Prando, certo? A “Relesgião”. Como aconteceu a parceria?
Isso. Quando compus essa música, imediatamente me veio a imagem do André na cabeça. Vejo ele como um ermitão (risos). Pensei ‘essa música é a cara dele’, então gravei um áudio com os arranjos e o convidei pra fazer a canção comigo. Isso faz, mais ou menos, 2 anos. Inclusive, é o nosso próximo videoclipe.

O álbum foi produzido com financiamento coletivo… Ultrapassou, inclusive, o valor solicitado. Vocês esperavam por esse apoio?
Há uns anos, nós tentamos fazer o financiamento, mas ainda eram os primórdios dos esquemas de crowdfunding. Desistimos. Como a banda desmantelou e restou apenas eu e o guitarrista, pegamos um fôlego para fazer do “Cria” algo maior. Pedimos 25 mil e alcançamos quase 27 mil. Não teve investimento nosso, foi tudo dos colaboradores. Ficamos muito felizes… Era tudo ou nada. Se alcançássemos só 24 mil, não conseguiríamos nenhuma parte do dinheiro. Com o arrecadado, fizemos a gravação, mixagem, os clipes… Foi tudo ao vivo, nas redes sociais, ligando pra fãs, familiares e curiosos. Teve gente que contribuiu e, quando nós perguntamos ‘e aí, quando você vai querer a recompensa?’, disse que não precisava. No fundo, só queria ajudar.

A banda já conquistou muitos prêmios. Há um sentimento de gratidão?
É uma grande honra. Conquistamos o primeiro lugar no Fenac (Festival Nacional da Canção), a maior competição do gênero no país. Fico muito orgulhoso, pois fomos a primeira banda do estado a trazer esse prêmio para cá, mesmo eu não sendo capixaba (risos). Em 2013, ganhamos o Fun Music, em São Paulo, com a canção ‘Yansã’, que está nesse álbum também. Temos muitos títulos conquistados por aí.

Vocês se apresentam amanhã, no Festival de Inverno de Domingos Martins. Como o show está sendo pensado? Além das músicas do “Cria”, outros sucessos serão tocados?
Vai ser o segundo show de lançamento do “Cria”. O primeiro foi no Sesc Glória, em abril. Também tocaremos alguns carros-chefes do Musiqualidade. Além disso, o show vai contemplar canções do meu trabalho solo “Desconstrusom”, um trabalho de releituras. Gosto de tocar Martinho da Vila em blues, Alcione em funk, Nirvana em uma pegada meio jazz… É quase um ‘‘cover autoral’’, porque mudo as canções inteiras. Procuro trazer essas aventuras para dentro do “Cria”. Ah, e ainda vai ter interpretação em libras!

Serviço

Segundo show de lançamento do disco “Cria”, da banda Cinco Nós, no 26º Festival Internacional de Inverno de Música Erudita e Popular de Domingos Martins.
Quando: neste sábado (20), às 20h, no palco principal de Campinho.
Endereço: rua Bernardino Monteiro, 22, Domingos Martins.
Telefone: (27) 3268-1471.
Entrada gratuita.


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