Por que Bolsonaro prefere Osmar Terra a Mandetta - ES360

Por que Bolsonaro prefere Osmar Terra a Mandetta

O gaúcho Osmar Terra fez campanha aberta, nas últimas semanas, para se mostrar uma opção contra o isolamento horizontal, defendido pelo ministro Luiz Mandetta, e fortemente criticado pelo presidente Bolsonaro por conta da economia do país.

Terra não é novato na política e nem no combate a pandemias. Foi prefeito de Santa Maria em meados dos anos 1990, ocupou vários cargos públicos, elegeu-se deputado federal pelo PMDB em 2000 e desde então vem se reelegendo e/ou assumindo funções em diversos governos. Sua habilidade política o levou a integrar tanto o governo Michel Temer (Ministério do Desenvolvimento Social) quando o de Bolsonaro (Cidadania, de onde saiu há poucas semanas, para dar lugar a Ônix Lorenzoni). Era secretário da Saúde do Rio Grande do Sul quando surgiu a H1N1. Usa o combate a essa gripe como um dos argumentos para se dizer qualificado em apontar caminhos diferentes de controle do novo coronavírus.

Terra tem dado entrevistas, postado em redes sociais e publicado artigos questionando a estratégia do ministro Mandetta. Ele é frontalmente contra o isolamento adotado até aqui. “Nos países europeus que radicalizaram na quarentena, em vez de diminuir, o número de casos aumentou muitas vezes e não houve achatamento da curva epidêmica”, afirmou em recente artigo na Folha de S. Paulo. Foi contestado por especialistas, médicos e até por sites de checagem de dados. O tom foi um só: o deputado deturpou informações e ignorou fatos para fazer valer sua teoria.

De outro lado, a teoria de Osmar Terra agrada, e muito, ao presidente. Bolsonaro elogiou a coragem de seu ex-ministro “de ir contra a maré da histeria”.

Quando coordenei o enfrentamento à devastadora pandemia de H1N1 no Rio Grande do Sul —o epicentro dela no Brasil—, segui protocolos científicos e não fechei escolas, comércio e indústrias porque não tive lá, como não há agora, evidências de que tais medidas reduzam o curso da epidemia. Resolvi correr o risco sanitário e político disso. A ciência prevaleceu com o controle rápido do surto, sem faltar atendimento à população”, diz ele num texto publicado ontem.

Nesse mesmo texto, uma frase resume a aproximação de seu ponto de vista com o de Bolsonaro: “Compartilho da mesma posição do presidente Jair Bolsonaro de que é possível superar a epidemia e reduzir as perdas humanas sem radicalizar com isolamentos que vão quebrar o país e jogar milhões de brasileiros na miséria. E admiro a coragem do presidente de se posicionar contra uma correnteza de pânico, se recusando a pegar carona no medo, pensando no futuro do nosso país.”

Diante dos ruídos cada vez mais intensos nos diálogos travados com Mandetta, posições e frases como as assumidas e proferidas por Osmar Terra soam como música para os ouvidos de Bolsonaro.  Não se sabe ao certo se ele assumirá o cargo hoje nas mãos de Mandetta ou se ajudará o presidente a escolher um nome para a Saúde. Mas uma certeza existe: esse canto de sereia encantou o capitão.

Antonio Carlos tem 32 anos de jornalismo. E um tempo bem maior no acompanhamento dos fatos. Já viu e acompanhou muitos acontecimentos. Mas sempre é surpreendido por novos fatos, porque o inesperado é a maior qualidade das coberturas jornalísticas. E também da vida...

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Comentários:

  • A questão é muito simples: O Capitão não tem certeza de nada e é um grande covarde. Fica jogando para a platéia mas não toma as atitudes que dele se espera nem mesmo nesse lada da Saúde. Se estivesse mesmo convicto ou se fosse um líder, já teria substituído o Ministro e colocado alguém como esse Terra “arrasada”. Mas lhe falta “aquilo roxo”. É um pilantra com ares de grande executivo. Um Eike dos pobres.


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