Covid-19: os riscos do retorno das pessoas às ruas - ES360

Covid-19: os riscos do retorno das pessoas às ruas

Especialistas, entidades médicas e governo explicam a importância do isolamento domiciliar para controle da doença no país

Um dia após o presidente da República, Jair Bolsonaro, sugerir em pronunciamento o fim do “confinamento em massa” no país, muitas pessoas se encorajaram a sair de casa, nesta quarta-feira (25), na Grande Vitória. Motoristas relataram um maior movimento nas ruas e, em alguns supermercados, já se via uma maior procura por parte das pessoas.

A proposta de fim do isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus, porém, vem sendo duramente criticada por profissionais da saúde e entidades médicas. A SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia) foi uma das que se manifestou desconstruindo argumentos do presidente, como o que definiu a doença como uma “gripezinha”.

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“A covid-19 não é um resfriado, mesmo que muitos infectados apresentem sintomas similares. Ela é uma doença que em sua forma mais grave leva o infectado a um quadro agudo de pneumonia, que hoje já resultou em mais de 16 mil mortes e aproximadamente 400 mil casos confirmados no mundo todo. Esses números estão subestimados, pois, inclusive no Brasil, grande parte dos casos suspeitos não está sendo testada”, diz o manifesto publicado no site da entidade.

O infectologista Crispim Cerutti Junior alerta que a OMS (Organização Mundial da Saúde) tem afirmado que a pandemia está se acelerando em várias partes do mundo, e o Brasil acompanha essa tendência. “Nossa curva epidêmica está em franca ascensão. Falar que a letalidade é baixa e que 90% das pessoas ficarão bem (outra fala do presidente durante o pronunciamento) é inconsequente. Quando um grande grupo populacional é atingido, por menor que seja a letalidade, muita gente irá morrer”, explica.

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A respeito da possibilidade de isolamento apenas de idosos e pessoas com doenças, o médico avalia ser ainda mais arriscada. “Os idosos não estão separados do convívio familiar. Isso os coloca em risco ainda maior e, na prática, não é viável”, diz.

O coordenador do Centro de Operações Estratégicas da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), Luiz Carlos Reblin, explica que o Espírito Santo possui mais de 600 mil pessoas com idade acima de 60 anos. Além disso, dos cerca de 4 milhões de habitantes, 25% tem hipertensão e mais de 10%, diabetes. “Nosso esforço é proteger todas as pessoas, mas especialmente esse conjunto de pessoas”, defendeu.

Reblin orienta que a população continue seguindo as orientações de isolamento. “Estamos em um movimento importante e muito positivo. É claro que a economia precisa de um tratamento, e cabe ao governo federal apontar soluções para recuperar a cadeia produtiva. Mas não temos dúvida de que nesse momento precisamos usar o bom senso e permanecer em isolamento”, afirmou.


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