Como será o Espírito Santo de 2036 - ES360

Como será o Espírito Santo de 2036

Especialistas de diversas áreas fazem um panorama de como será o estado e a vida da população capixaba em 17 anos. Confira as principais transformações que estamos prestes a viver

Quem nunca se perguntou como será o futuro? Especialistas em diversas áreas nos ajudaram a criar um panorama de como será o Espírito Santo e a vida da população capixaba em 17 anos. O resultado você confere nesta matéria, que traz uma visão das principais transformações que estamos prestes a viver. Missão que agora é reforçada pelo novo portal da Rede Capixaba, o ES360.

Decolamos de 2019 para 2036 com a previsão de ter uma população 15% maior, que deve chegar a 4,6 milhões de habitantes, com expectativa de vida de até 3 anos a mais – hoje a média é de 79 anos.

O deslocamento dessas pessoas deve ser facilitado. O secretário de estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno, aposta na integração e ampliação do bilhete único — que hoje integra ônibus municipais e do Transcol. “Ele deverá ser estendido para pagar a corrida em táxis, bicicletas, carros de aplicativo e até patinetes. O pagamento da tarifa no cartão de crédito e débito será comum”.

A mobilidade mais prática vai influenciar novos projetos de urbanismo. Com a tendência de cada vez mais se usar veículos compartilhados e transporte público, a demanda por automóveis nas ruas tende a diminuir. Assim, os próximos PDUs (Planos Diretores Urbanos) vão exigir menos vagas nas garagens nos prédios.

Um alerta vem do clima. As temperaturas podem aumentar até 4 graus e trazer eventos de seca extrema. A região norte do estado tem tendência a se tornar semiárida se não tiver sucesso no combate às mudanças climáticas previstos no Acordo de Paris.

A tecnologia terá papel essencial na agricultura, na indústria e, principalmente na saúde, com o uso de robôs para cirurgias cada vez mais precisas e menos invasivas, principalmente no sistema nervoso central. Os diagnósticos de doenças ganham mais exatidão com o uso de cápsulas inteligentes, que vão obter imagens internas do corpo. Para o médico e professor da Ufes José Geraldo Mill, o avanço da tecnologia na medicina também vai desenvolver medicamentos inteligentes, que vão diminuir os efeitos colaterais em tratamentos de câncer, por exemplo, por atuarem diretamente em células específicas.

E para chegar em 2036 de forma sustentável, as cidades deverão, cada vez mais, encontrar soluções inteligentes para problemas do dia a dia. “O desenvolvimento é uma engrenagem que não tem como frear. Temos cada vez menos recursos hídricos e energéticos e todas as cidades terão que buscar sustentabilidade e oportunidades de evolução ou serão empurradas pela desorganização”, avalia Juliana Binda, especialista em inovação do Findeslab.

Confira as mudanças previstas para cada uma área:

Clima

Termômetro da avenida Nossa Senhora da Penha com a avenida Desembargador Santos Neves, bairro Praia do Canto, Vitória. Foto: Chico Guedes
Termômetro da avenida Nossa Senhora da Penha com a avenida Desembargador Santos Neves, bairro Praia do Canto, Vitória. Foto: Chico Guedes

• O Estado vai ter aumento de 3 a 4 graus de temperatura, em média. A sensação térmica pode ser ainda mais elevada, principalmente com os períodos de alta umidade no verão.
• O nível do mar pode chegar a subir entre 6 e 8 centímetros. Atualmente sobe de 3 a 4 mm ao ano.
• Com as mudanças climáticas, a tendência é ter uma aceleração da alternância de extremos (seca e chuva). Em várias partes do mundo houve aumento da frequência desses extremos, mas o que se apresenta aqui no Espírito Santo está mais desbalanceado para a seca, com tendência de ocorrer uma seca extrema uma vez a cada 5 ou 10 anos.
• A região norte do estado tem tendência a se tornar semiárida se não tiver sucesso nas ações de combate às mudanças climáticas previstas no Acordo de Paris.

População

População do Espírito Santo vai crescer 15% em 17 anos. Foto: Chico Guedes
População do Espírito Santo vai crescer 15% em 17 anos. Foto: Chico Guedes

• Em 2036, o Espírito Santo vai ter 4.634.293 habitantes, 603.803 a mais do que a população atual
• A expectativa de vida subirá para 81,79 anos, contra os atuais 79 anos. As mulheres vão viver mais, com expectativa de chegarem a 85 anos.

Mobilidade

Ciclovia da Avenida Dante Michelini, Praia de Camburi, Vitória. Foto: Chico Guedes
Ciclovia da Avenida Dante Michelini, Praia de Camburi, Vitória. Foto: Chico Guedes

• A Grande Vitória terá integração entre todos os transportes coletivos
• Obras para melhorar a mobilidade, como o Portal do Príncipe, o trevo de Carapina e o aumento da capacidade da Terceira Ponte também serão realidade para a população, assim como uma quarta ligação entre Vitória e Vila Velha.
• Transporte público terá veículos a gás e elétricos com bilhete único integrado como única forma de bilhetagem, o que deve incluir também outros meios de transporte, como aplicativos, táxi, bicicleta e patinetes, tudo num único bilhete. A intenção é que os últimos supram as curtas e médias distâncias, onde o ônibus não consegue chegar.
• Também será realidade a priorização semafórica para os coletivos e o pagamento da passagem por cartão de crédito e débito nos ônibus.

Arquitetura e Urbanismo

• A mobilidade vai influenciar novos projetos do urbanismo nos próximos anos. Com a tendência de cada vez mais se usar veículos compartilhados e transporte público, vai diminuir a demanda por automóveis nas ruas. Assim, os próximos planos diretores vão exigir menos vaga nas garagens nos prédios.
• Com o movimento de retorno de vários órgãos públicos para o centro de Vitória, há tendência da região ficar mais movimentada.
• Por outro lado, com o crescimento do home office e a tendência das pessoas se locomoverem menos, muda também o visual dos apartamentos, que ficam ainda mais compactos. Nos prédios residenciais, também devem surgir espaços de coworking.
• Com a mudança do clima, há uma tendência na urbanização de investir em arborização, tanto para contribuir com o microclima local quanto nas paisagens.
• A aplicação de uma lei de assistência técnica por arquitetos pode mudar a realidade de áreas de periferia, levando mais segurança àquelas edificações. A remuneração de arquitetos pelo poder público para prestar assessorias aos moradores dessas regiões da cidade pode melhorar as condições de vida, pois muitas vezes essas edificações têm telhados, janelas e outros itens que não foram escolhidos da melhor maneira.

Saúde

Diagnósticos serão mais precisos com definição 3D. Foto: Pixabay
Diagnósticos serão mais precisos com definição 3D. Foto: Pixabay

• O diagnóstico médico será mais preciso com o uso de cápsulas inteligentes, que vão obter imagens internas do corpo. As imagens serão geradas com definição muito maior e em 3D, que podem indicar ao médico a posição exata da lesão.
• Cirurgias guiadas por robôs serão cada vez mais comuns e importantes para a realização de intervenções no sistema nervoso central e coluna. Com uma imagem em 3D, o médico poderá indicar o local exato do ponto que deseja atingir.
• Medicamentos inteligentes vão diminuir os efeitos colaterais, principalmente em tratamentos de câncer. Os novos remédios vão atuar em células específicas e por causarem menos efeitos colaterais poderão ser usados em doses maiores.
• O sequenciamento de genoma será um exame comum. Cada pessoa vai poder ter o seu completo, podendo saber, por exemplo, que tipo de medicamento pode ou não usar, pois as alergias a determinadas substâncias são apontadas por esse exame.
• Crianças que hoje têm até 10 anos vão passar a ter expectativa de vida de 100 anos. Desde que se previna doenças crônicas, como as cardiovasculares. Manter a função dos rins também é essencial para se alcançar mais tempo de vida.

Educação

Professor será mediador do processo de construção do conhecimento nas salas de aula. Foto: Chico Guedes
Professor será mediador do processo de construção do conhecimento nas salas de aula. Foto: Chico Guedes

• A distribuição dos alunos por turmas terá a diversidade como critério no que se refere a níveis de desenvolvimento, culturas e etnias. Em relação às disciplinas, diretrizes apontam para a organização dos currículos escolares por áreas de conhecimento, sendo tendência principalmente para o ensino fundamental.
• O professor será o mediador do processo de construção do conhecimento nas salas de aula diante da diversidade de saberes acessados de diferentes maneiras trazidos pelos alunos.
• Do aluno, será esperado posturas críticas, responsáveis e responsiva diante do conhecimento.
• As habilidades emocionais das crianças também terão papel importante na sala de aula para contribuir para um mundo com justiça social, fraterno, livre de preconceitos e socialmente inclusivo.
• Assim como a produção impressa, as tecnologias educacionais, como programas de computadores, serão grandes aliados. Mas as tecnologias não vão substituir o professor.

Indústria

Produção industrial cai 0,2% em maio ante abril
Processos industrial ficarão cada vez mais modernos. Foto: Divulgação/Governo do ES

• Crescimento de dois novos setores: nanotecnologia e biotecnologia para criar produtos ou processo inovadores em diversas áreas da indústria.
• A agricultura estará cada vez mais informatizada. A perspectiva para o estado é de crescimento do setor agroalimentar, envolvendo a produção de alimentos incluindo agropecuária, indústria alimentícia, fabricação de bebidas alcoólicas e não alcoólicas e outros.
• Fábricas inteligentes vão usar as tecnologias da informação para digitalizar e conectar processos industriais, o que vai melhorar a qualidade do processo e produto.

Cidades inteligentes

Cidades do futuro terão muito mais tecnologia. Foto: Fábio Vicentini
Cidades do futuro terão muito mais tecnologia. Foto: Fábio Vicentini

• As cidades do futuro terão a tecnologia como aliada, com equilíbrio em áreas verdes, residenciais, comércio com planejamento urbano para garantir a fluidez e a mobilidade urbana.
• O consumo de água e energia vai ser inteligente, podendo ser controlado por aplicativo. Dessa forma, se a pessoa está viajando e chega informação do consumo de água acima do normal, terá a possibilidade de travar o sistema hidráulico remotamente.
• As cidades também serão mais limpas, com gestão de lixo mais inteligente e gestão de resíduos. Além disso terão painel de energia solar e ilha de recarga de carro.
• A tendência de se ter hortas urbanas é outro exemplo do que a população pode esperar para 2036.

  • Fontes: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística); Carlos Nobre, coordenador científico do instituto de estudos climáticos da Ufes; José Geraldo Mill, médico e professor da Ufes; Fábio Damasceno, secretário de Mobilidade e Infraestrutura; Léo de Castro, presidente da Findes; Juliana Binda, especialista em Inovação do Findeslab; Tarcísio Bahia, professor de Arquitetura e Urbanismo da Ufes; Cláudia Gontijo, professora do Centro de Educação da Ufes.
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