Com fim de acordo com acionistas Vale entra em nova fase, diz jornal - ES360

Com fim de acordo com acionistas Vale entra em nova fase, diz jornal

Fim de acordo celebrado em 2017 fará com que a mineradora se torne uma corporação sem grupo de controle acionário definido

Vale suspende uso de barragem de rejeitos em Jeceaba (MG) e paralisa usina. Foto: Agência Brasil
Vale suspende uso de barragem de rejeitos em Jeceaba (MG) e paralisa usina. Foto: Agência Brasil

Com o fim de acordo de acionistas assinado em 2017 e que expira em 9 de novembro, a Vale se prepara para viver outra mudança histórica. Há 23 anos, a empresa fazia a transição de estatal para privada e agora a mineradora vai se transformar em corporação sem grupo de controle acionário definido, segundo informações publicadas no jornal Valor Econômico.

Nesse novo modelo, a companhia terá o controle disperso entre diferentes investidores, mas no novo desenho há meios de inibir que qualquer acionista tenha fatia igual ou maior que 25% do capital. Caso isso ocorra, o sócio que atingir esse percentual terá que fazer uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) a todos os investidores de Vale.

Segundo o jornal, hoje a Vale ainda tem grupo de controle, formado por meia dúzia de grandes investidores institucionais, que dá as cartas a partir de posição acionária equivalente a cerca de um terço do capital social da companhia. Essa liderança é exercida por meio de atuação conjunta que permite a esses investidores eleger a maioria dos integrantes do conselho de administração da empresa, uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo.

A ação articulada do grupo de controle se dá via acordo de acionistas assinado em 2017 e que expira em 9 de novembro. O fim desse acordo será o “gatilho” para implementar mudanças societárias e de governança corporativa que vêm sendo preparadas há três anos. “É de se esperar mais uma evolução do que uma revolução”, disse conselheiro ao jornal.

 Venda

Ainda segundo o Valor, analistas de bancos estão de olho nos 20,26% das ações da mineradora, algo em torno de R$ 68 bilhões, que vão ficar livres para venda a partir do acordo.  Esse é o percentual de ações vinculado ao acordo de acionistas do qual faz parte o grupo de controle de Vale. Integram o grupo Litel, que reúne os fundos de pensão estatais – Previ, do Banco Brasil; Petros, da Petrobras; Funcef, da Caixa; e Vivest, antiga Fundação Cesp -, Bradespar, do Bradesco; a japonesa Mitsui; e a BNDESPar, o braço de participações acionárias do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na prática, esses 20,26% de ações de Vale podem ser vendidos a partir de 9 de novembro, embora essa não seja a expectativa do mercado. Acredita-se que Previ, Bradespar e Mitsui vão se manter como acionistas de referência. O BNDES é visto como vendedor. Em agosto, o banco se desfez na bolsa de R$ 8,1 bilhões de papéis de Vale em um só dia.

Redução de intervenção política

De acordo com o jornal, a adoção de um modelo de controle acionário disperso tende a reduzir ainda mais a possibilidade de intervenção política na empresa, verificada mesmo depois da privatização, em maio de 1997. A União ainda detém 12 golden shares de Vale que lhe dão poder de veto limitado sobre alguns temas, entre os quais mudanças de razão social, de sede e de objeto das atividades minerárias. É de se esperar que como resultado da dispersão acionária a Vale ganhe maior diversificação da base de acionistas, haja renovação do conselho de administração, a ser definida em assembleia geral de acionistas em abril de 2021, e que os administradores da empresa tenham maior independência em relação aos acionistas.

É possível que a atual diretoria da empresa, sob o comando de Eduardo Bartolomeo, que assumiu a presidência da Vale depois de Brumadinho, seja reconduzida pelo conselho para mais um mandato de dois anos antes da realização da assembleia de acionistas em abril do que ano que vem. A AGO/AGE de Vale terá como um dos principais temas a renovação do conselho de administração.

 


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