Com alto orçamento, capixaba Rodrigo Aragão lança filme sobre religião e rituais de magia - ES360

Com alto orçamento, capixaba Rodrigo Aragão lança filme sobre religião e rituais de magia

O longa-metragem retrata a vinda de jesuítas para o Brasil com o 'Livro de São Cipriano', o que os condena a ficar para sempre em um cemitério. Lançamento será em setembro

Novo filme de Rodrigo Aragão conta a história de Cipriano e seu livro de magia, que amaldiçoa um grupo de jesuítas no Brasil. Foto: Divulgação

Ao longo de séculos, a fama que acompanha o Livro de São Cipriano é tenebrosa: a obra é apontada como origem de diversas maldições surgidas no mundo, até mesmo depois da conversão ao catolicismo do Exorcista de Antioquia, tido como autor da obra. Com feitiços, simpatias e rituais exorcistas, é uma das referências mais usadas pelo cineasta capixaba Rodrigo Aragão em seus filmes, incluindo “O Cemitério das Almas Perdidas”, que será lançado e exibido pela primeira vez no próximo mês, após dois anos de produção.

Na sua filmografia, a obra ocupa posição de destaque sobretudo em “Mangue Negro” (2008), “A Noite dos Chupacabras“ (2011) e “Mar Negro” (2013). E de onde vem tanta fascinação pelo livro? “Toda a repercussão que esses rituais tiveram para o mundo da fantasia é incrível. Muitas histórias que a gente conhece vem daí”, diz Aragão, cujo trabalho de direção se extende aos filmes “As Fábulas Negras” (2015) e “A Mata Negra” (2018).

Neste novo filme, Rodrigo quis ir além para contar o que ainda é desconhecido por trás dessa história. O longa-metragem retrata a vinda de alguns jesuítas para o Brasil com os escritos de Cipriano. Eles acabam sendo amaldiçoados e ficam aprisionados por séculos dentro de um cemitério, onde acontecem coisas assustadoras. “Vai ser um filme com muita magia, vampiros, maldições, luta de espada e muito sangue”, adianta Rodrigo.

Engavetado há mais de 18 anos, o sexto longa-metragem de Aragão era o mais sonhado por ele. Para concretizar o projeto, foi preciso, no entanto, um orçamento maior do qual ele costumava trabalhar. “Esse filme é a menina dos meus olhos, mas não dava pra fazer de forma independente. Tinha que ter uma grana por trás para ser bem feito. Foram muitas tentativas até conseguir, finalmente, conseguir levantar o dinheiro dessa produção”, relembra. Aragão foi premiado com um edital da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES) e da Agência Nacional do Cinema (Ancine), por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

Zumbis, vampiros, índios e jesuítas são figuras confirmadas no novo filme de Aragão. Foto: Divulgação

Com um orçamento de mais de R$ 2 milhões, “O Cemitério das Almas Perdidas” é um dos filmes mais caros já feitos no Espírito Santo, além de ser o único na história do cinema capixaba a conseguir um financiamento da Ancine. E não é à toa: foram necessários mais de 200 profissionais para criar dezenas de cenários em estúdio, efeitos especiais, maquetes de até 4m de altura e até manusear algumas câmeras padrão Hollywood. Das dez obras que concorrem anualmente ao Oscar, segundo Rodrigo, nove usam a câmera Alexa, a mesma que foi utilizada no longa capixaba.

“Ainda assim, é um filme muito pequeno para o mercado audiovisual internacional e o eixo SP-RJ. O grande desafio de fazer cinema no Brasil é a distribuição, porque acabamos competindo com super produções americanas. Se isso já era difícil, com a pandemia agora… Mas é muito bom saber que temos um filme num padrão de qualidade técnica que pode ser exibido em qualquer lugar do mundo”, conta, com orgulho.

No total, foram quatro meses de trabalho para conseguir montar todos os cenários, que ficaram instalados em Guarapari, e dois meses para gravar o filme, em 2018. Por conter muitos efeitos especiais, a finalização do projeto sofreu um atraso durante 2019, agravado ainda mais por causa da pandemia. “Já estávamos com problemas devido à criação dos cenários, cujo tempo levou mais do que a gente imaginava. Quando surgiu a pandemia, tivemos que dar um jeito de terminar o filme à distância, incluindo a correção das cores, a edição dos sons e a inserção da trilha sonora. E esse trabalho estava sendo feito tanto aqui quanto fora do Espírito Santo”, explica.

Aragão frisa que um dos seus principais objetivos era inserir o maior número possível de profissionais do estado para trabalharem na produção. Por isso, propôs diversas oficinas de interpretação, maquiagem, cenografia e testes de elenco, para capacitar engenheiros civis, carpinteiros e possíveis atores para ajudarem no filme. Alguns artistas de outros estados também foram chamados, segundo ele, com o intuito de promover um “intercâmbio” entre os dois grupos.

Bastidores de “O Cemitério das Almas Perdidas”. Foto: Divulgação

“Tenho uma equipe que trabalha comigo desde o meu primeiro filme, e que já estava pronta para esse projeto. Só que é um roteiro complexo, com cenas mais elaboradas, então precisei agregar mais pessoas. Nisso tentamos formar mais profissionais aqui pelo estado, além de outras que conheci durante minha carreira”, ressalta.

Lançamento

“O Cemitério das Almas Perdidas” terá sua primeira exibição no Cinefantasy (Festival Internacional de Cinema Fantástico), que acontece em São Paulo no próximo final de semana. A estreia vai acontecer de forma física pelo cine drive-in do Petra Belas Artes, no Memorial da América Latina, no dia 6 de setembro, e o filme ficará disponível para ser assistido on-line pela plataforma de streaming do Petra, das 18h às 00h, no dia 7. É preciso pagar o valor de uma mensalidade (R$ 9,90) para ter acesso à superprodução.

Um dos principais festivais do gênero, a décima edição do Cinefantasy trará uma seleção de 140 filmes, entre longas e curtas de 30 países. Entre as obras que também participarão da mostra estão “Três Verões”, estrelado por Regina Casé, e “Alice Júnior”, do diretor Gil Baroni. Com exceção das sessões drive-in, toda a programação foi adaptada para o formato virtual, pela primeira vez.

A previsão é de que o filme estreie em outras telas grandes apenas quando os cinemas do país voltarem a funcionar, inclusive os do Espírito Santo. Até lá, a produção deve passar alguns meses rodando o mundo em festivais on-line. “Apesar de ser um filme feito para tela grande, ao mesmo tempo, é interessante saber que pessoas do país inteiro poderão assistir”, afirma Aragão.

Assista ao trailer:


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