Com ações inclusivas, Maranata leva ensinamentos a pessoas com deficiência - ES360

Com ações inclusivas, Maranata leva ensinamentos a pessoas com deficiência

Comissão de Acessibilidade da Igreja Cristã Maranata tem atendimento adaptado para fieis surdocegos e com demais deficiências

Fiel surdocego da Igreja Maranata recebendo interpretação de passagem bíblica durante culto. Divulgação / Igreja Cristã Maranata (Foto de antes da pandemia)

Espalhar a Palavra de Deus a todos é um dos principais pilares da fé cristã. E é justamente com este intuito que a Igreja Cristã Maranata é preparada para levar os ensinamentos bíblicos a qualquer pessoa, mesmo as que tenham algum tipo de deficiência que comprometa o entendimento da Palavra.

Com o trabalho da Comissão de Acessibilidade, fiéis que não enxergam, não escutam, não falam ou possuem alguma deficiência intelectual conseguem receber os ensinamentos de forma inclusiva e igualitária.

Pastor Marco Antônio Medina coordena a Acessibilidade na Maranata

Coordenada pelo Pastor Marco Antônio Medina, a comissão atua desde 2004 levando de forma acessível a transmissão de cultos e da Escola Dominical para surdos, cegos, surdocegos, pessoas do espectro autista e com Síndrome de Down de todas as idades.

De acordo com Medina, o projeto cumpre a missão de evangelização da Maranata, mas, acima de tudo, um papel social muito importante ao inserir pessoas com deficiência na sociedade.

“O foco principal é colocar as pessoas com deficiência no seio da Igreja para que tenham o mesmo tratamento que os demais fieis têm. O Senhor nunca impôs barreiras a ninguém e queremos fazer o mesmo. Claro que é um trabalho voltado ao ensinamento bíblico, mas extrapola as portas da Igreja, porque ajuda a sociedade e impacta na vida da pessoa com deficiência, na sua família, na sua vida emocional. É algo que nos gratifica muito”, disse.

O trabalho

Com o avanço da tecnologia nos últimos anos e com a presença forte da ICM nas plataformas online, o trabalho da acessibilidade ficou ainda mais em evidência com a disponibilização dos conteúdos na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) em vários níveis com vídeos no YouTube.

Transmissão de vídeo no canal de Acessibilidade da Maranata em Libras. Reprodução / YouTube Maranata

Com uma playlist no canal da Maranata, os fieis podem ter acesso a todo o conteúdo adaptado para determinadas deficiências, além de conteúdos didáticos sobre como lidar com este público.

Segundo o Pastor Medina, os professores são capacitados a lidarem com vários níveis de dificuldade, de acordo com a demanda dos membros. No caso de crianças e jovens do espectro autista, há um material em três níveis de dificuldade para transmitir o conteúdo de forma igualitária.

Acessibilidade para os surdocegos

Intérprete da linguagem tátil durante culto da ICM (Foto de antes da pandemia)

O trabalho de acessibilidade rompeu ainda mais barreiras com o acolhimento de um público bastante negligenciado na sociedade. Os surdocegos possuem a ausência sensorial da visão e da audição e precisam de uma linguagem de sinais diferente, mais baseada no toque, a Libras Tátil.

Responsável por este serviço dentro da Comissão de Acessibilidade, o Pastor Bízio, que, além da atividade pastoral, possui Doutorado em Linguística, explica os desafios desta comunicação durante a pandemia.

“A comunicação com os surdocegos é toda presencial devido ao toque. Então, com a pandemia eles ficaram ainda mais excluídos do convívio social. A Igreja cumpre esse papel social de cidadão ao incluí-los no nosso meio e passar a eles informações e conhecimento”, conta o pastor.

Guiado pelos pastores da Maranata, o trabalho de acessibilidade conta com fieis voluntários que possuem capacitação técnica para lidar com os surdocegos. Doutoranda e Mestre em Educação, Elaine Vilella é professora universitária e autora de livros sobre a educação de surdocegos. Ela é a responsável técnica pela assistência aos surdocegos na Maranata.

“Há pessoas que já tiveram um dos sentidos ao longo da vida e depois perderam, outros com um pouco de visão residual. Já outros que nunca enxergaram na vida. Então, cada um desses surdocegos tem uma necessidade diferente e nos adaptamos à demanda de cada um. Para incluir a todos, há também a transcrição do culto por intérpretes e a entrega deste material em linguagem acessível para eles”, explicou.

Trabalho de comunicação com os surdocegos na Igreja Maranata. (Foto de antes da pandemia)

Desafio e superação

Segundo Elaine Vilela, um grande desafio da comunicação com os surdocegos é explicar aquilo que não é possível retratar pelo tato, fonte principal de compreensão da mensagem para este público.

Linguagem tátil é feita pelo toque para expressar mensagens (Foto de antes da pandemia)

“É um outro tipo de deficiência, não dá para tratar como trata o surdo e o cego individualmente. E muitos acham que é uma deficiência múltipla, mas é algo único. Como utilizamos a linguagem tátil, conseguimos explicar como são objetos, por exemplo. Mas, nos ensinamentos cristãos temos que passar noções espirituais e falar de algo que não vemos, apenas sentimos. Por exemplo, o Espírito Santo não é algo que pegamos, mas sentimos. Então, tivemos que adaptar nossa linguagem e fazer estes fieis surdocegos, além de interpretarem a Palavra, também a sentirem”, explicou.

Um dos exemplos que mais emociona a Comissão de Acessibilidade é do jovem Gabriel, de São Paulo. “Quando nós o conhecemos, com 23 anos de idade, ele não tinha muita capacidade de comunicação. Conversamos com a família e a mãe disse que ele já havia ido duas vezes em igrejas na vida, mas nunca entendeu nada porque não havia intérpretes. Ele não conhecia os nomes de Deus e Jesus e hoje ele já se desenvolveu bem e compreende todo o conteúdo, conversa com os demais surdocegos, hoje tem vontade de casar, trabalhar”, relata Elaine.

Material desenvolvido pelos surdocegos em dinâmicas na Maranata (Foto de antes da pandemia)

Infância e Juventude

A pediatra com área de atuação na Neurologia da Infância e Adolescência, Maria Amin, é a Coordenadora Técnica do Trabalho de Acessibilidade da Maranata. Ela explica que o público infantil é o mais contemplado pelos trabalhos.

“Traduzimos e adaptamos as aulas da Escola Dominical para as várias idades e níveis de dificuldade de acordo com a deficiência deles. Com nosso trabalho, a criança com deficiência aprende o mesmo ensinamento bíblico de quem não tem deficiência”, diz.

E é com este trabalho de inclusão que a Igreja Maranata pretende seguir rompendo barreiras e acolhendo cada vez mais toda a sociedade em seus templos.

Como acompanhar a ICM pela internet:

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