O vinho do final de semana: Yering Farm “The George” – Cabernet Sauvignon 2014

Foram alguns tintos e brancos degustados no final de semana (que foi aberto, aliás, com uma comparação especial: duas safras de Almaviva, 2000 e 2005,

Por André Andrès

Publicado em · Atualizado há 4 semanas

O vinho do final de semana: Yering Farm “The George” – Cabernet Sauvignon 2014
O vinho do final de semana: Yering Farm “The George” – Cabernet Sauvignon 2014

Foram alguns tintos e brancos degustados no final de semana (que foi aberto, aliás, com uma comparação especial: duas safras de Almaviva, 2000 e 2005, mas essa é uma outra história…). O destaque ficou para o Yering Farm “The George” Cabernet Sauvignon 2014.

O vinhedo surgiu no final do século XIX e pertencia a uma família de suíços. Após ascensão e declínio a viticultura, as terras de Yering foram adquiridas pela família Johns, nos anos 1960. E em 1988, Alan Johns resolveu recuperar a tradição vitivinícola do local e apostar no plantio da Cabernet Sauvignon. Seu pai resistiu. Respondeu algo como: “Está maluco? Ninguém mais planta uvas. Ainda mais para vinhos…” Alan se sentiu desafiado, e, provavelmente, estimulado. A propriedade tinha 200 acres. Alan pediu, e o pai cedeu, cinco acres da propriedade. Ele seguiu os ensinamentos da família Deschamps, os suíços proprietários originais da terra. Afinal, as cepas de Cabernet eram remanescentes daquele período. Deu certo. A vinícola se consolidou e hoje é uma das maiores na região australiana de Yarra, perto de Melbourne, no sul do país.

O pai de Alan se chamava “George”. O nome do vinho é uma homenagem a ele, à história da terra e, por que não?, também à insistência de Alan. Talvez se não fosse o fato de o pai tê-lo desafiado, ele não teria insistido em um projeto difícil de tocar naqueles anos. Pais não são deuses, mas às vezes também escrevem certo por linhas tortas…

O tinto amadurece 18 meses em barricas francesas novas e já usadas. É um vinho muito redondo, macio na boca, com toques de frutas vermelhas, amoras, um pouco de tabaco. É muito, muito aromático: no nariz apresenta muitos toques de pimenta e especiarias. Único problema: é difícil de achar no país… Mas importadoras brasileiras têm, aos poucos, trazido mais vinhos da Autrália (aliás, isso será tema de outro post, brevemente). Quem sabe não nos brindam com esse ótimo George, da Yering Farm? Pais e filhos agradeceriam.