Casos de covid-19 voltam a crescer no Espírito Santo - ES360

Casos de covid-19 voltam a crescer no Espírito Santo

A crescente busca por atendimento médico nos últimos dias passou a preocupar os especialistas

Teste rápido coronavírus. Foto: Leopoldo Silva/Agência Brasil
Teste rápido coronavírus. Foto: Leopoldo Silva/Agência Brasil

O número de casos do novo coronavírus voltou a subir, após queda acentuada no Espírito Santo. Em dois dias desta semana, o estado registrou pelo menos 1 mil contaminados em 24 horas: na segunda-feira foram 1 mil notificações e na quarta-feira 1.162. A crescente busca por atendimento médico é outro fator que preocupa os especialistas.

A professora, pesquisadora e pós-doutora em epidemiologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel explica que o aumento no número de testes PCR-RT positivos preocupa, uma vez que mostra uma elevação da curva de casos ativos. A atenção, no momento, também está voltada para a crescente procura de atendimentos médicos para pacientes com a covid-19, o que pode refletir em um aumento no número de óbitos nas próximas semanas.

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“As pessoas estão usando a máscara de forma errada e muitas vezes nem mesmo estão fazendo uso. As pessoas estão relaxando nas recomendações. Isso pode ser reflexo de um cansaço dos mais de 220 dias de pandemia no estado. Entendemos isso, principalmente porque não fazia parte da nossa cultura, diferentemente do que ocorre com  os asiáticos. O aumento dos casos não está ligado necessariamente às aglomerações, mas sim às interações sociais, porque as pessoas voltaram à rotina e isso inclui ter contato com mais pessoas fora do círculo familiar”, explicou a professora.

Parte do aumento no número de casos já era previsto pelo secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, que atribui a elevação aos diversos inquéritos sorológicos em andamento, à mudança de critério de testagem e à investigação de contatos domiciliares. No Twitter, ele detalhou, nesta quinta-feira, dia 22, os números: dos últimos 3.340 confirmados por teste laboratorial: 2.012 diagnosticados com PCR-RT – identifica o vírus ativo -, sendo 123 assintomáticos; 1.328 diagnosticados por IgG com “teste rápido” ou exame sorológico do inquérito ou censo escolar, sendo 1.142 assintomáticos.

Para a professora, independentemente de ser censo ou inquérito, se os testes estão tendo resultado positivo, significa que as pessoas se infectaram, assintomáticas ou não, e esse número é real. “Não temos uma segunda onda. Estamos no final da primeira onda, ela está estendida, não acabou. E ainda mais sem uma vacina ou medicamento efetivo, as pessoas continuam se infectando e vemos esse aumento. Já caímos para 400 por dia e essa semana voltamos a ter mais de 1 mil. Isso significa que o vírus se mantém circulando e causando infecção”, disse.

Em sua coluna do site Gazeta, o médico infectologista Lauro Ferreira Pinto afirmou que o estado está atravessando uma “marola” da covid-19 após os dois últimos feriados prolongados. Ele atribui às aglomerações à uma “fadiga de confinamento malfeito”. “Toda uma população suscetível está sendo rapidamente exposta. Estamos assistindo a uma explosão do número de casos, atendimentos, pedidos de exames, idas a serviços de emergência com algum estresse de novo no serviço de saúde”, escreveu.

Apesar da elevação da curva de contaminados, o médico infectologista lembra que as mortes continuam em queda, que pode ser consequência do aprendizado no manejo da doença ou porque a maioria dos infectados, neste momento, são os jovens. As principais faixas de acometimento tem sido em adultos de 20 a 40 anos, como na Europa e nos Estados Unidos. Mas o alerta continua, afinal, essas pessoas têm contato com grupos de riscos que podem ter manifestação mais grave da doença.

Relatos de profissionais da saúde apontam para o aumento na busca por atendimento médico em decorrência da covid-19, o que não necessariamente acarreta em internações. O Painel Covid-19 indica que mesmo com a redução do número de UTIs de 715 disponibilizadas no auge da pandemia para 415 atualmente, a ocupação está em 66,02%. O mesmo se reflete nas internações, quando apenas 58,65% dos leitos de enfermaria está em uso.

Média móvel

Apesar dos números diários mostrarem um aumento significativo no número de infectados, o Painel Covid-19 aponta uma variação de -39,74% na média de contaminados. Há sete dias atrás, o estado confirmava 581 casos por dia. Hoje, dia 22, esse número caiu para 350. Porém, quando acompanhados os números da média móvel diariamente, nota-se que esse número na semana anterior era bem menor. O que, segundo o pesquisador e professor do Departamento de Matemática da Ufes Etereldes Gonçalves Júnior, está atrelado ao fato de que os dados das confirmações são redistribuídas no sistema na data da coleta da amostra. Com isso, os números são recalculados, e há uma alteração automática da média móvel das semanas anteriores.

“Os resultados que saíram nesta quinta-feira, não entram na data de hoje. No painel entra o resultado positivo na data da coleta do exame. Ou seja, se a amostra foi coletada há uma semana, os positivo entraram lá, isso altera a média móvel daquela semana. A média móvel é boa para olhar, mas não adianta olhar a da última semana, porque ela pode ser alterada com a inserção dos novos positivos, que entram com atraso no painel”, explicou o Júnior.


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