Cariocas apostam na criação de cervejas inusitadas - ES360

Cariocas apostam na criação de cervejas inusitadas

 

The Tap House recebeu 13 rótulos da Three Monkeys. Foto: Leticia Orlandi
The Tap House recebeu 13 rótulos da Three Monkeys. Foto: Leticia Orlandi

Com seis anos de mercado, mais de 50 rótulos lançados e referência na criação de cervejas inusitadas, a carioca Three Monkeys Beer se prepara para ampliar ainda mais a participação no mercado, com mudança de parte da equipe para São Paulo. Só no Rio de Janeiro, são 400 pontos de venda fixos das cervejas da marca. Em 2018, a Three Monkeys venceu o concurso de cervejarias da rede de supermercados Pão de Açúcar, o que garantiu a ampla distribuição de alguns rótulos nas lojas, tendo a Classic IPA como carro-chefe.

E Vitória também está nos planos para distribuição da marca. Na última sexta-feira, dia 31 de janeiro, a cervejaria trouxe 13 rótulos para apresentar ao público no evento Invasão Three Monkeys, na The Tap House, na Praia do Canto, em Vitória. Aproveitei para conversar com Rogério Donato e Renan Duarte, que vieram para representar a cervejaria. Eles falaram sobre a história da marca, os planos para 2020 e ainda sobre a inspiração para criar receitas inovadoras. E deixam um recado: “Chegamos para ficar”. Confira a entrevista.

Rogério Donato (à esquerda) e Renan Duarte (à direita) com Daniel Duarte, especialista em cervejas da The Tap House. Foto: Leticia Orlandi
Rogério Donato (à esquerda) e Renan Duarte (à direita) com Daniel Duarte, especialista em cervejas da The Tap House. Foto: Leticia Orlandi

Como nasceu a cervejaria?
Renan Duarte: A Three Monkeys tem seis anos e três sócios fundadores, que são o Léo Gil, o Filipe Oliveira e o Bernardo Costa e Silva. Sendo que cada um deles tem uma atribuição na empresa. O Bernardo é o cervejeiro, Felipe cuida das finanças e o Léo cuida da parte de marketing. Depois de um período da empresa em andamento, entraram dois novos sócios, Rogério Donato e Peter Philips. Rogério cuida do autosserviço, que são as grandes redes e da parte de buscar novos parceiros. Já o Peter cuida da logística.

De onde tiram inspiração para criar receitas inovadoras?
Rogério Donato: Nossa ideia hoje, e que a gente tenta traduzir em várias outras ações, além da própria cerveja, vem do nosso lema: quebrar barreiras. A gente tenta quebrar barreiras de várias maneiras. Hoje a criatividade flui para a linha High End, que a formada pelos produtos mais extremos. Um deles é a linha do estilo gose, que começamos fazendo em 2017 com a Caramel Salé, uma gose com caramelo e flor de sal. A gente viu que era um estilo que captaria bem essa inserção. No ano seguinte a gente lançou a Gazpacho, que é uma gose com tomate, picles de pepino e sal do himalaia e agora em 2019 lançamos uma linha completa dela, com a chegada das cervejas Honey Dijon, Thai Curry, Al Mare e Oriental. Cada uma leva especiarias de cozinhas muito específicas (com mostarda e mel, tinta de lula e shoyu, gengibre e raiz forte) e isso a gente tenta traduzir em todas as cervejas que a gente faz. Mesmo lá atrás quando a gente tinha a nossa linha de New England IPAs com a Galaxy Detox e a Detox Your Mind, a gente lançou a Milkyway IPA. A gente já tinha uma New England que já era inovadora e diferente e pensamos “o que poderíamos fazer além disso?” Colocamos baunilha e lactose na Milkyway. Tudo o que a gente faz é nesse sentido. Queremos fazer cerveja que tem de tomate a pipoca doce. A gente não se limita.

Como está o mercado? Estão no Rio de Janeiro e em quais outras regiões?
Rogério Donato: Estamos no Rio há seis anos. Na cidade do Rio estamos muito bem estabelecidos. A gente tem cerca de 400 pontos de venda na cidade. Além do Rio, atendemos mais 15 estados do Brasil, sendo que só no Rio e em São Paulo temos operação própria. Hoje nosso foco hoje está muito em São Paulo. Estamos lá há mais de dois anos com distribuidor, mas agora a operação é toda como é no Rio, com pessoal de logística, comercial, atendimento. Isso é uma mudança bem recente e um caminho para 2020.

Os últimos anos foram marcados pelo crescimento de alguns estilos como Sour e New England IPA. Como acham que será em 2020?
Rogério Donato: Estamos elaborando agora coisas além de cerveja, ainda não dá para falar muito coisa. Mas estamos sempre de olho nas novidades. Quando a gente lançou a Detox Your Mind, ela era a segunda New England IPA do Brasil. Quando a gente lançou nossa linha de Sour, em 2017, já tinha o burburinho de que a Sour seria a nova IPA. Estamos na terceira versão dela e vemos que a Sour é realidade e muita gente reconhece a Three Monkeys por isso. Fazemos Sours com drinkability muito alto e que não necessariamente você precisa ser um beergeek para gostar dela, é fácil de beber. E a gente faz isso há muito tempo. É uma coisa que explodiu agora, mas a gente pensa tem alguns anos. O nosso trabalho de pesquisa é feito principalmente pelo Bernardo, que é o que toca a produção junto com o Léo, que trabalha com novos produtos.

E como é feita essa pesquisa, vocês vão para fora do país ver as novidades?
Rogério Donato: Muito. O Bernardo viaja muito para festivais fora, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Hoje ele tem essa liberdade de agenda para isso. Então, a vida dele é pensar, elaborar e criar novas receitas. Ele é um dos sócios fundadores e sempre tomou muito essa função. Isso é muito bom para a Three Monkeys porque a gente tem um cervejeiro dentro de casa. Em outras marcas acontece do cervejeiro mudar, e a gente sempre teve o nosso.

Como vê o mercado do Espírito Santo?
Rogério Donato: A receptividade está sendo bizarra. Muitas pessoas vindo falar que já conheciam a cervejaria, que tinham bebido no Rio ou em São Paulo. Cheguei na cidade há três horas e estou surpreso com essa região da Praia do Canto. É difícil ver lugares como aqui, com 40 taps. A gente chegou para ficar. Hoje é uma invasão, mas agora não saímos mais.

Leticia Orlandi é jornalista e entusiasta de cervejas artesanais. Escreve sobre histórias e sabores por trás de cada copo.

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