'Brasil ressurge depois de estar à beira do socialismo', diz Bolsonaro na ONU - ES360

‘Brasil ressurge depois de estar à beira do socialismo’, diz Bolsonaro na ONU

Em seu discurso, o presidente ainda elogiou Sérgio Moro, disse que a economia brasileira está se recuperando e que a Amazônia permanece praticamente intocada

Presidente da República, Jair Bolsonaro, discursa durante a abertura do Debate Geral da 74ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Foto: Alan Santos/PR
Presidente da República, Jair Bolsonaro, discursa durante a abertura do Debate Geral da 74ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Foto: Alan Santos/PR

Em um discurso de aproximadamente meia hora, o presidente Jair Bolsonaro fez sua estreia na Assembleia Geral da ONU sem começar seu pronunciamento focando na questão climática, principalmente no que tange a questão das queimadas na Amazônia. Bolsonaro iniciou sua fala citando que assumiu um País que estava “à beira do socialismo”, fortemente influenciado por Cuba e Venezuela, de acordo com ele.

“Lhes apresento um novo Brasil, que ressurge depois de estar à beira do socialismo” foi a frase escolhida pelo presidente para iniciar o discurso, logo depois dos agradecimentos a Deus por sua vida e de dizer que iria “restabelecer a verdade”.

> VÍDEO: Bolsonaro discursa na Assembleia Geral da ONU

Bolsonaro ainda mencionou que o Brasil não colabora mais com a ditadura cubana após o cancelamento do programa Mais Médicos, que visava a interiorização de médicos cubanos no País.

O presidente citou, ainda, a Venezuela como exemplo a não ser seguido pelo Brasil. “Outrora democrática, hoje nossos vizinhos venezuelanos experimentam a crueldade do socialismo” que, de acordo com ele, é mantido por agentes do regime cubano que controlam a sociedade local, acrescentando que a história mostra esses agentes infiltrados.

Sobre a situação na Venezuela, Bolsonaro ainda citou que o Brasil trabalha com os Estados Unidos para restabelecer a democracia em solo venezuelano. Finalizando o bloco sobre socialismo de sua fala, o presidente ainda afirmou que o Foro de São Paulo, “organização criminosa criada por Fidel (Castro, ex-presidente de Cuba), Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil) e Chávez (Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela)”, precisa ser combatido.

“Economia brasileira está reagindo”

Bolsonaro também afirmou que a economia brasileira começa a reagir depois de anos de “aparelhamento e corrupção generalizada“. “Concessões e privatizações já se fazem presentes hoje no Brasil”, acrescentou, pontuando que o País está abrindo a economia e se integrando às cadeias globais de valor.

Segundo ele, o Brasil está pronto para iniciar o processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento ou Econômico (OCDE). “Adotamos práticas elevadas, desde regulação financeira até proteção ambiental”, citou, em referência aos critérios para ingressar na organização. O presidente disse que “não pode haver liberdade política sem que haja liberdade econômica” e defendeu o livre mercado.

O presidente ainda mencionou, como conquistas de seu governo, o Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado em junho passado, e o acordo comercial entre o bloco sul-americano e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por quatro países europeus (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), firmado em agosto. “Pretendemos seguir adiante com outros acordos nos próximos meses”, prometeu Bolsonaro.

Moro é elogiado em discurso

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foi elogiado pelo presidente durante seu discurso na ONU. Bolsonaro afirmou que presidentes que o antecederam “desviaram centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do parlamento, tudo por um projeto de poder absoluto”, mas foram “julgados e punidos graças ao patriotismo, perseverança e coragem de um juiz que é símbolo no meu país, o Doutor Sérgio Moro.”

O mandatário brasileiro, ao dizer que o Brasil reafirma seu compromisso com os direitos humanos e com a defesa da democracia, afirmou que esses valores “caminham juntos” com o combate à corrupção e à criminalidade. Bolsonaro disse que, devido a medidas tomadas em seus primeiros meses de governo, o número de homicídios no País caiu mais de 20%. O presidente também mencionou a extradição do italiano Cesare Battisti para a Itália e disse que “terroristas sob o disfarce de perseguidos políticos não mais encontrarão refúgio no Brasil.”

O presidente prometeu seguir contribuindo, dentro e fora das Nações Unidas, para a construção de um mundo sem impunidade e sem “esconderijo ou abrigo para criminosos e corruptos”, e disse que o Brasil está, hoje, mais seguro e hospitaleiro. “Com mais segurança e com essas facilidades, queremos que todos possam conhecer o Brasil”, afirmou o presidente, citando que o País já estendeu isenção de vistos para Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá e estuda adotar medidas similares para outros países, como China e Índia.

“Somos país que mais preserva meio ambiente”

Embora não tenha colocado a questão ambiental como ponto inicial de seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro dedicou parte dos 30 minutos, para, em suas palavras, “restabelecer a verdade” sobre a situação da Amazônia brasileira, que, de acordo com ele, “permanece praticamente intocada“.

“Somos o País que mais preserva o meio ambiente”, citou Bolsonaro, que também disse que é “falácia” atribuir à Amazônia a condição de patrimônio da humanidade e um “equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo”.

O presidente também mencionou que a Amazônia brasileira é maior que toda a Europa Ocidental e que o fato dela permanecer “praticamente intocada” é prova de que “somos um dos países que mais protegem o meio ambiente”.

Embora não tenha citado números, Bolsonaro citou que as queimadas no Brasil, que tiveram repercussão mundial nos últimos meses, são favorecidas pelo clima seco e os ventos fortes desta época do ano. “Vale ressaltar que existem também queimadas praticadas por índios e populações locais”, mencionou o presidente.

Neste contexto combativo, o presidente citou que “um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista” em relação à Amazônia. Embora não tenha citado nominalmente o presidente da França, Emmanuel Macron, Bolsonaro afirmou que “um líder presente no encontro do G-7 questionou nossa soberania e ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil sem sequer nos ouvir”, fazendo clara alusão ao presidente francês.

“Agradeço àqueles que não aceitaram levar adiante essa absurda proposta”, completou, com um agradecimento: “em especial, ao presidente Donald Trump, que bem sintetizou o espírito que deve reinar entre os países da ONU: respeito à liberdade e à soberania de cada um de nós”.

Nesse sentido, Bolsonaro ainda afirmou que enquanto o Brasil utiliza 8% de seu território para produção de alimentos, países como a França e Alemanha utilizam mais de 50% de suas terras para agricultura. O presidente falou, também, que iniciativas internacionais de apoio à Amazônia devem ser tratadas sob a luz da soberania brasileira – e que não irá tolerar ingerência externa travestida de boas intenções na região.

Estadão Conteúdo

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