Aulas nas escolas da rede pública do ES vão voltar com 50% dos alunos - ES360

Aulas nas escolas da rede pública do ES vão voltar com 50% dos alunos

Retorno das aulas será feito em quatro etapas. População tem até o dia 14 de setembro para manifestar suas opiniões na consulta pública disponível no site da Sedu

Donos de escolas estão bravos: queriam volta das aulas em setembro. Foto: Pixabay
Sala de aula. Foto: Pixabay

 

Previsto para começar em outubro, pelo ensino médio, o retorno das atividades presenciais nas escolas públicas estaduais vai acontecer de forma gradual, em etapas e com revezamento, alternando momentos presenciais e não presenciais. No regime de revezamento proposto, cada turma será dividida em 50% de estudantes em estudos presenciais e 50% em estudos não presenciais, por meio das atividades não presenciais e dos recursos disponibilizados pelo Programa EscoLAR.

O retorno das aulas presenciais será realizado em quatro etapas, sendo que a retomada do trabalho será primeiro pelos professores. Os primeiros alunos a retornarem serão do ensino médio, etapa que vai durar duas semanas, sendo que a cada semana teremos o revezamento de 50% dos alunos de cada turma. Na etapa seguinte, o mesmo modelo será aplicado no retorno das turmas dos anos finais do ensino fundamental, do do 6º ao 9º ano, e em seguida voltam as turmas dos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano.

A ideia da Secretaria de Educação (Sedu) é  dedicar a semana anterior ao reinício das aulas presenciais para o acolhimento e planejamento coletivo dos professores nas unidades escolares, e após esse momento, gradativamente, e de acordo com o retorno das etapas e modalidades de ensino em que eles lecionam. A proposta diz ainda que o planejamento semanal previsto na carga horária do professor, por razões sanitárias, não será cumprido na escola enquanto perdurar a pandemia de covid-19. Portanto, as reuniões de planejamento deverão, preferencialmente, ser realizadas por webconferência.

O governo do Estado divulgou o Plano de Retomada das Aulas Presenciais para a Educação Básica nas escolas da rede estadual na última sexta-feira (4). As atividades estão suspensas até o próximo dia 30 de setembro e sem data definida para o retorno do funcionamento presencial das escolas, por conta da pandemia do novo coronavírus. Todas as propostas estão disponíveis para a população manifestar sua opinião na consulta pública disponível no site da secretaria até 14 de setembro.

No documento, a Sedu detalha que o retorno às atividades presenciais nas unidades escolares deverão observar procedimentos técnicos e sanitários que
possibilitem esse retorno com segurança da comunidade escolar e em conformidade com as diretrizes estabelecidas. O objetivo do plano é o planejamento das unidades escolares nos processos que envolvem o retorno às aulas presenciais, contemplando aspectos pedagógicos, psicossociais, sanitários e administrativos.

> Governo do ES avalia retorno do ensino médio em outubro

O regime de revezamento, também permite que estudantes pertencentes a grupos de risco, que apresentem laudo de comorbidade, fiquem em casa, bem como que todos os casos suspeitos ou confirmados de covid-19 sejam imediatamente colocados em quarentena, sem que haja prejuízo à frequência escolar e ao processo educativo, que passa, nesse caso, a ser realizado por meio das atividades não presenciais e dos recursos disponibilizados pelo Programa EscoLAR. As famílias, cujos estudantes não pertencem a algum grupo de risco, poderão optar pela continuidade das atividades não presenciais nos domicílios em situações específicas, a serem regulamentadas pela Sedu em portaria própria.

Também serão realizadas avaliações diagnósticas para um levantamento da situação do aluno em relação às aprendizagens adquiridas e ao currículo proposto; identificar as possíveis
defasagens de aprendizagens dos estudantes; e ter uma melhor compreensão da turma em relação à aquisição de habilidades e pré-requisitos necessários para a continuidade do processo educativo.

Aspectos psicossociais

O plano propõe que a semana anterior ao retorno às aulas presenciais seja reservado um tempo para ouvir sobre como os profissionais estão e sobre como se deram suas vivências no período de isolamento. No retorno, a ideia é acolher os estudantes, o que exige planejamento e deve ser compartilhado com a equipe de profissionais, para que toda a escola esteja alinhada com os princípios norteadores de escuta, acolhimento, paciência e empatia.

O documento orienta a escola a organizar uma atividade, seja por turma, ou de acordo com a dinâmica que melhor preferir, para trabalhar o assunto da pandemia com os alunos, não só visando à comunicação das diretrizes de biossegurança, mas também para ouvir sobre o que eles viveram e sentiram durante o distanciamento social, sobre os efeitos que persistem: de tristeza, medo ou outras preocupações.

Está previsto que o contato físico vai demandar alguns cuidados. Além das informações de biossegurança, a ideia é que a escola estimule os alunos a criarem novas formas de convivência que não envolvam o contato físico e nem a utilização compartilhada de objetos.

Além do impacto emocional causado pelo isolamento social, e dos sentimentos provocados pela pandemia, bem como das consequências financeiras para algumas famílias, muitos profissionais e estudantes perderam familiares e pessoas queridas, vitimadas pela covid-19. O processo de elaboração do luto tornou-se específico neste momento porque também sofreu atravessamentos. No Plano de Retorno consta que havendo óbitos de alunos ou de profissionais da escola, e se for algo desejado pela comunidade escolar, o grupo pode organizar ritos de despedida, homenagens, memoriais, formas de expressão dos sentimentos acerca da situação e em relação à pessoa que faleceu, e ainda atentar para a construção de uma rede socioafetiva para os enlutados.

Aspectos sanitários

Como as escolas públicas estaduais têm dimensões muito diversas, cada diretor vai poder adaptar as orientações à realidade do seu espaço escolar, sem perder de vista os princípios de distanciamento, biossegurança e proteção da saúde, no que diz respeito a covid-19 e as medidas administrativas e sanitárias instituídas por meio da Portaria Conjunta Sedu/Sesa Nº1.

No uso dos espaços escolares serão adotadas as medidas administrativas e sanitárias com destaque para as seguintes recomendações: o uso de máscara é obrigatório; álcool em gel 70° deve estar disponível para o uso dos estudantes e profissionais; qualquer compartilhamento de alimentos e objetos entre os estudantes é desaconselhado e deve ser evitado; evitar que estudantes, professores e demais profissionais que atuam na escola consumam água diretamente na torneira do bebedouro, incentivando o uso de recipientes individuais; evitar aglomerações nas idas ao banheiro; em ambientes fechados, os equipamentos de ar condicionado, quando houver, devem permanecer desligados e as janelas deverão estar sempre
abertas e outros.

Deve-se adequar o espaço físico do refeitório para que cada um mantenha-se a 1,5 metro de distância do outro. Todos os estudantes devem realizar a higienização das mãos antes e depois de entrarem no refeitório. A ida ao refeitório deve ser escalonada, sempre que possível, para evitar a aglomeração de estudantes, ou, quando isso não for possível, considerar fazer as refeições na sala de aula.

Aspectos administrativos

A Sedu instituiu um grupo de trabalho constituído por entidades representativas com o objetivo de assegurar os protocolos necessários ao funcionamento das atividades presenciais de forma segura nas instituições de ensino do Espírito Santo, que atenda às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para evitar o contágio pela covid-19.

A Portaria Conjunta estabelece que, as unidades de ensino somente poderão retornar às aulas presenciais, após a elaboração e implementação de um Plano Estratégico de Prevenção e Controle (PEPC) da transmissão do novo coronavírus.

Para o acompanhamento, avaliação e monitoramento da implementação e execução das ações do PEPC, as escolas deverão criar o Comitê Local de Prevenção, constituído por: um representante da diretoria da instituição; um ou mais representantes da coordenação da instituição; representantes do corpo docente; representantes dos estudantes, quando aplicável; e representantes de responsáveis legais pelos estudantes, no caso de estudantes menores de idade.


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