Atendimento aos carentes é principal proposta de Gilbertinho para prefeitura de Vitória - ES360

Atendimento aos carentes é principal proposta de Gilbertinho para prefeitura de Vitória

Entre as suas principais propostas estão melhorias na educação pública, ampliação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a desmilitarização da polícia

Gilbertinho Campos é candidato à prefeitura de Vitória pelo PSOL. Foto: Reprodução/Facebook

Historiador de formação e militante pelas comunidades mais carentes, Gilbertinho Campos vai representar o Partido Socialista (PSOL) como candidato a prefeito de Vitória nas eleições municipais de 2020. Defensor de uma assistência maior aos bairros periféricos do município, que ele chama de “lado esquerdo da Avenida Leitão da Silva” (Bonfim, Gurigica, São Benedito, Itararé e Morro da Penha), o também ex-funcionário da Secretaria de Fazenda do Estado tenta atrair os votos da população que sofre com o desemprego durante a pandemia, minorias étnicas e militantes sociais, grupo do qual sua candidata à vice-prefeita, Munah Malek, faz parte.

Entre as suas principais propostas estão melhorias na educação pública, ampliação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a desmilitarização da polícia. Em entrevista à BandNews FM Espírito Santo, o candidato também pontuou quais foram as suas motivações para concorrer ao posto e fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Confira os destaques da entrevista abaixo:

Motivação

“Eu sou aposentado pela Receita Estadual, sou historiador por formação, militante do Movimento Negro e de partido político desde a época de 1980, mas nunca me coloquei à disposição para disputar eleição enquanto candidato. Sempre ficava nos bastidores das campanhas. O que me motiva é estar em um partido que se coloca e se propõe a fazer uma política diferente dessas que estamos acostumados a fazer, que está preocupado com as minorias, os trabalhadores, os negros, as mulheres e a juventude negra. É um partido que tem políticas direcionadas para esses setores, diferentemente de outros partidos que visam somente fazer política para as elites dominantes que nós nos acostumamos a ver na história.”

Educação

“Reconhecemos que o sistema de ensino de Vitória é um bom sistema de educação. Mas, ao analisarmos os índices de aprovação, a gente percebe que eles estão sendo puxados por escolas em bairros da classe média, que têm uma estrutura melhor e um bom atendimento aos alunos. Precisamos que esses números representem também as comunidades mais carentes da cidade. Aqueles bairros que estão ao lado esquerdo da Leitão da Silva, os mais periféricos e do morro. Visamos o fortalecimento das escolas nessas zonas. E em uma visão mais ampla, a principal diretriz do programa do PSOL na capital é a criação de políticas públicas de equidade, que beneficiem todo conjunto da população de maneira justa, igualitária. Para pôr fim no que chamamos de “cidade partida”, porque nós temos uma percepção que Vitória é dividida entre ricos e pobres. E a educação é uma das ferramentas que deve auxiliar nesse processo de educação. Outra meta do nosso governo é fortalecer o trabalho dos professores, que, em Vitória, têm uma boa qualificação. Mas queremos incentivá-los cada vez mais. Repensar quem são esses professores e essas professores, se eles são dos bairros onde trabalham ou se ficam migrando de escola em escola, de bairros muito distantes de suas residências. Enfim, fortalecer os vínculos locais entre professores e escolas. Queremos melhorar a qualidade de vida deles, com menor deslocamento. Isso interfere na qualidade do ensino.”

Segurança pública

“A primeira grande proposta do PSOL é fazer a desmilitarização da guarda civil, tornando-a uma polícia mais comunitária. O fim imediato da colaboração de profissionais da guarda civil em operações policiais ofensivas, já que isso é um desvio de função. Vemos muito que a polícia chega nas comunidades, muitas vezes sem autorização judicial, invadem casas e violam direitos humanos. Queremos alterar esse tipo de procedimento de abordagem. E criar um projeto que tire dessas populações essa imagem de que eles são ‘inimigos’. Essas populações são vistas com muito preconceito. Temos que pensar que ali temos trabalhadores, estudantes, que merecem todo o respeito. Pagam cos seus impostos e contribuem com o crescimento da sociedade. Então, não é justo que eles sofram essa abordagem da polícia.”

Saúde

“Nossa proposta é executar integralmente o plano municipal de saúde de Vitória, porque ali estão diretrizes que foram formuladas na Conferência Municipal de Saúde, em 2018, que vão se encerrar em 2021. O plano é muito importante porque foi criado de forma democrática, todo referenciado no Sistema Único de Saúde (SUS). No nosso governo, faremos uma defesa intransigente do SUS, que é uma das principais bandeiras do PSOL. Em relação aos diagnósticos, começamos a questionar se as unidades de saúde mantêm equipes multiprofissionais necessárias. Observar se o município garante, junto ao Estado, as condições de um atendimento integral, porque ele é de responsabilidade do Estado; e se as atividades da atenção básica a saúde estão de acordo com as necessidades da população em suas respectivas regiões, porque nós sabemos que tem incidências de algumas doenças que são maiores em determinadas áreas da cidade, e não existe essa diferenciação. Nós temos, também, um problema grave entre o Hospital Santa Rita e o Hemocentro, que, durante o dia, servem como depósito de doentes que vêm do interior, portando todo tipo de patologia. Uma das propostas é conversar com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), governo estadual e municípios do interior para a construção de um abrigo para esses pacientes. Enfim, o Sistema Nacional de Atenção Básica também enfrenta um grave problema, que é arcar com as estratégias de saúde da família. O município está inventando equipes para garantir recursos financeiros, mas não tem na sua implementação, na comparação com sua forma inicial, o trabalho do médico, do enfermeiro e do agente comunitário. E, por mim, temos que construir mais uma unidade de saúde em Jardim Camburi, pois só existe uma. Ela já está muito demandada, é um bairro muito populoso.”

Polarização

“Eu quero afirmar que essa eleição vai ser essencialmente nacionalizada. Acho que existe uma polarização: nós vivemos os últimos anos com a polarização de dois partidos políticos, mas agora ela se dará no plano ideológico: a da ultradireita, que está no poder central do país, e dos partidos de esquerda. O PSOL não vai se furtar do trabalho de fazer a crítica a esse estado das coisas que estamos vendo aí. Hoje, o Brasil está convivendo com a fome, uma questão que já tínhamos até superado. Foi até exemplo de combate à fome e, hoje, temos 10 milhões de pessoas nessa situação. Vamos ter um impacto muito grande no que diz respeito ao desemprego por causa da covid-19, e, com certeza, quem vai sofrer com esse impacto é a população pobre. Mas não vemos nesse governo uma preocupação com esse segmento populacional. É um governo que está a serviço do empresariado, quer agradar apenas os empresários, e esquecendo do povo. E utilizando uma estratégia de propaganda muito ruim, que são as fake news. Eles falam mentiras várias vezes e elas se tornam verdades. Nesta semana, nosso presidente da República nos envergonhou na Organização das Nações Unidas (ONU), dizendo que houve um auxílio emergencial de 1 mil dólares, o que significa 5.400 reais. Quando, na verdade, esse auxílio foi de R$ 600 reais. Não tenho duvida de que vai haver essa polarização, e o pessoal está preparado para fazer esse debate. Só queria que esse debate fosse respeitoso, uma troca de ideias, e não de ataques e acusações, como a direita está fazendo com a esquerda no país.”

Investimentos

“Nós temos que fazer parcerias com entidades internacionais, visando buscar investimentos. Nós temos que fazer uma política de desenvolvimento de empregos; promover, junto com os movimentos sociais, políticas que atendem esse setor da população que vai ficar desempregada. No nosso programa, colocamos que o Brasil vai ter um recuo de 10%, e na semana seguinte daquela em que escrevemos o programa, chegou uma notícia de que o país já está tecnicamente em recessão. Vamos ter que fazer uma política onde possamos ampliar a capacidade de Vitória para captar investimentos. Temos que atrair setores da economia que se identifiquem com a nossa vocação, como turismo e cultura. Que seja um espaço de implantação de grandes parques tecnológicos, incentivos para os pequenos comerciantes, enfim, tornar uma cidade dinamizada. Vitória não tem mais como crescer, não tem como receber mais indústrias, então será preciso investir nessas áreas.”

Ouça a entrevista completa:


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