Após prisão de Daniel Silveira, deputados investigados mantêm ataques ao Supremo - ES360

Após prisão de Daniel Silveira, deputados investigados mantêm ataques ao Supremo

Um dos mais exaltados tem sido o deputado Otoni de Paula, que desde a prisão de Silveira tem feito ataques a Alexandre de Moraes

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) no plenário da Câmara. (Foto: Câmara dos Deputados)
O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) no plenário da Câmara. (Foto: Câmara dos Deputados)

A prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) por apologia ao Ato Institucional 5 (AI-5), o mais violento ato da ditadura militar, e discurso de ódio contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal, não inibiu parlamentares investigados no mesmo inquérito de manter ataques à Corte. Dos demais nove alvos, ao menos cinco saíram em defesa do colega com críticas aos magistrados. Todos eles são fiéis aliados ao governo de Jair Bolsonaro.

Um dos mais exaltados tem sido o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), que desde a prisão de Silveira, na noite de terça-feira, 16, tem feito ataques ao ministro Alexandre de Moraes, autor da ordem de prisão, a quem chama de “déspota”. Ele chegou a convocar “movimentos populares de direita” para irem às ruas contra a “ditadura da toga”. A mobilização não empolgou seus 133 mil seguidores. Apenas dez haviam reproduzido a hashtag lançada pelo parlamentar até a tarde desta quinta-feira.

Conhecida por seu estilo beligerante na Câmara, a deputada Alê Silva (PSL-MG) foi irônica ao criticar o presidente do Supremo, Luiz Fux, por não saber o sobrenome de Silveira ao proferir a decisão do plenário que confirmou a prisão na sessão de ontem.

“Com todo o respeito aos excelentíssimos, senhores, doutores, salve, salve ministros do Supremo, mas nem saber o nome de quem está sendo julgado é o fim da picada!”, postou a parlamentar.

Alê, Otoni e Silveira são investigados no inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República para investigar a organização e o financiamento de atos antidemocráticos. A apuração foi aberta depois que manifestações em defesa da volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e ataques às instituições democráticas marcaram as comemorações pelo Dia do Exército em diferentes cidades do País, no dia 19 de abril do ano passado. Bolsonaro participou de um dos atos em Brasília.

Alguns dos parlamentares investigados, no entanto, adotaram um tom mais moderado ao tratar do caso. Foi o caso de Carla Zambelli (PSL-SP), que optou por reproduzir comentários com críticas à decisão de Moraes.

Já a deputada Bia Kicis (PSL-DF), indicada para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a principal da Câmara, manteve o silêncio sobre a prisão do aliado. Presença constante em manifestações contra o Supremo, ela tem sofrido resistência de líderes de partidos pelo seu estilo radical. Em entrevista no mês passado, Kicis refutou o rótulo e disse ser uma pessoa do diálogo. Na mesma ocasião, disse que, uma vez confirmada na CCJ, colocará em votação um projeto para barrar o que chama de “ativismo judicial”.

No clã Bolsonaro, o único a sair em defesa de Silveira foi o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “Zero Três” do presidente. “Dentre outros fatores, amanhã votarei pela libertação”, escreveu ontem no Twitter. Ele justificou a decisão “em nome das garantias da imunidade parlamentar, liberdade de expressão, devido processo legal, ampla defesa e contraditório”. Eduardo não é investigado no inquérito dos atos antidemocráticos.

Estadão Conteúdo


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