Após aborto, menina de 10 anos deve receber alta nesta terça - ES360

Após aborto, menina de 10 anos deve receber alta nesta terça

Afirmação é do médico Olímpio Barbosa de Moraes Filho, gestor-executivo do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, em Recife (PE), onde o procedimento foi realizado

Deve receber alta nesta terça-feira a criança de 10 anos estuprada pelo tio em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. A menina está internada desde domingo (16) no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, em Recife, Pernambuco, onde a gravidez foi interrompida.

Em entrevista à rádio BandNews FM ES, o médico gestor-executivo da unidade, Olímpio Barbosa de Moraes Filho, disse que a criança passa bem. “Ela está bem. Está com a avó e uma assistente social do Espírito Santo. Esperamos que a alta seja dada amanhã”, disse.

O aborto foi autorizado pela Vara da Infância e Juventude de São Mateus. O procedimento seria realizado no sábado (15) no Hucam (Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes), em Vitória. Porém, a equipe médica responsável pelo caso não realizou o procedimento porque “a idade gestacional não estava amparada pela legislação vigente”.

Segundo Olímpio, um protocolo de segurança orienta a interrupção da gravidez em até 22 semanas. A data, no entanto, não é um impeditivo para a realização do procedimento. “A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo entrou em contato com a Secretaria de Saúde daqui. Estamos acostumados com esse tipo de assistência, somos referência no Brasil. Mas se tivessem tomado a conduta de interromper a gestação quando a criança chegou na maternidade pela primeira vez, ela não teria a necessidade de viajar até aqui”, explicou o médico.

Ainda de acordo com o gestor-executivo da unidade, a criança chegou muito abalada no hospital. “Ela não aceitava manter a gravidez de forma nenhuma. Chorava muito. E sabemos que uma criança de 10 anos tem até mesmo risco de morte. Se o Estado não atendesse, seria outra violência contra a criança”, relatou o Olímpio.

Protestos

Enquanto a criança aguardava a realização do procedimento, manifestantes protestavam do lado de fora do hospital contra o aborto. Equipes policiais tiveram que ser acionadas para conter a manifestação.

“Foi uma surpresa. Nós somos a maternidade de alto risco e cirurgia ginecológica e atendimento de vulneráveis e nunca tivemos uma manifestação desse porte ou contra um procedimento que fazemos de rotina preservando o sigilo, os Direitos Humanos e as leis. Dessa vez foi diferente. Eu nunca tinha sido proibido de entrar na maternidade. Havia muitas pessoas e até políticos, inclusive alguns deputados”, disse o médico.

Passado o tumulto, Olímpio pede atenção e cuidados especiais para a família da criança. “Se aqui em Pernambuco aconteceu isso, imagine no Espírito Santo? Vocês tem o dever de proteger essa família. Isso não pode ficar marcado”, defendeu.

Hucam

Questionado pelo fato de não ter realizado o aborto, o Hucam (Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes) divulgou uma nota oficial esclarecendo que “realiza o procedimento de interrupção da gravidez tão somente nos casos permitidos pela legislação e constantes em protocolo instituído pelo Ministério da Saúde”.

Tio da criança é procurado pela polícia

A Sesp (Secretaria de Segurança Pública) afirma que no que lhe compete, tem empenhado esforços no sentido de localizar o autor do crime e dar cumprimento ao mandado de prisão expedido pela Justiça. Destaca ainda que a Polícia Civil tem realizado buscas de forma incansável e sem prazo determinado. E pede que denúncias auxiliem no trabalho de localização dos suspeitos sejam feitas por meio do Disque-Denúncia 181 ou pela internet.

O tio da criança, de 33 anos, foi indiciado pela prática dos crimes de ameaça, previsto no artigo 147 do Código Penal, e de estupro de vulnerável, previstos no artigo 217-A do Código Penal, ambos praticados de forma continuada.


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