A sociedade da felicidade - parte I - ES360

A sociedade da felicidade – parte I

E se fosse possível compreender cientificamente de onde vem a felicidade? Um recente campo da Psicologia, inaugurado pelo psicólogo americano Martin Seligman, se debruça sobre a ciência para explicar o que nos deixa mais feliz e o que podemos fazer para aumentar nossos níveis de bem-estar e satisfação com a vida. Chamada de Psicologia Positiva, o movimento tem em nomes como Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, uma explicação que serve como ponto de partida para compreendermos a felicidade.

Segundo Sonja, 40% é a fatia de nossa felicidade que temos o poder de mudar por meio de novos hábitos e atitudes. Uma parcela de 50% vem da herança genética. E os 10% restantes são explicados pelas diferenças nas circunstâncias de vida (riqueza ou pobreza, saúde ou doença). Por incrível que pareça, condicionamos nossa expectativa de ser feliz nesses 10% e fazemos de tudo para tentar controlar a vida a nossa maneira. Esquecemos do quanto ela é impermanente. E é aqui que começo a minha história.

Eu era aquela pessoa que se enquadrava no estereótipo do que é parecer ser feliz: bem sucedida, bonita, magra, viajada, cercada de amigos, belo casamento. Mas eu sentia um vazio constante no peito. Meus momentos de alegria estavam relacionados a conquistar novo cliente, comprar coisas que eu queria, viajar para um lugar exótico. Pensar que a felicidade é uma cenoura colocada à sua frente e que você só se sente bem se alcançá-la é o maior erro que pode haver. E quando nada disso acontecia, a frustração era insuportável.

Alguém já se sentiu assim?

Junto com a frustração, a culpa. Com que direito posso me sentir infeliz? Não tenho tudo que desejei? “Não seja mal-agradecida, vai lá e finge que está tudo bem” — era isso que dizia para mim mesma. Até que numa bela noite, toda aquela pose e tudo que eu chamava de vida literalmente desmoronou. Em 19 de julho de 2016, toda a área externa do condomínio onde minha família e eu morávamos desabou. Por um breve instante, achei que iria morrer e que naquela madrugada perderia toda minha família. Sou grata por nada disso ter acontecido. Mas me vi sem casa, sem carro, sem roupa, sem maquiagem. E acredito que perder as coisas que eu achava que significavam a minha felicidade me fez encontrar a depressão.

Questionei tudo que era possível: os deuses, o cosmos, a astrologia e, finalmente, a construtora do condomínio. Por que isso tinha que acontecer comigo? As respostas iriam chegar, mas não sem antes eu me mover em direção a elas. Concordei em abandonar o papel de vítima e repensar a vida me fazendo uma pergunta: o que é felicidade?

(Na próxima semana eu concluo esse relato sobre a busca da felicidade. Até lá!)

Flávia da Veiga é empresária, publicitária e fundadora da BeHappier

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