‘A gente precisa sair da inércia’, diz presidente do Sindiex sobre Previdência - ES360

‘A gente precisa sair da inércia’, diz presidente do Sindiex sobre Previdência

Marcílio Machado fala sobre a importância de se discutir o assunto e exalta as entidades que promovem o debate

Marcílio Machado
Presidente do Sindiex, Marcílio Machado, fala sobre a importância de se discutir a reforma da Previdência. Divulgação

Criado no Espírito Santo com o envolvimento de mais de 60 entidades empresariais, o movimento Cidadania Coletiva tem o objetivo de aumentar o apoio da sociedade para aprovar a reforma da Previdência. Em entrevista à BandNews FM ES, o representante do movimento e presidente do Sindiex (Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo), Marcílio Machado, fala sobre a iniciativa e diz que o objetivo agora é tentar envolver outros estados.

O que é o movimento Cidadania Coletiva?
Não adianta ficarmos reclamando do que está acontecendo com o país se a gente não participa das principais decisões que vão afetar a nossa realidade e o futuro das próximas gerações. Esse movimento Cidadania Coletiva existe para unir pessoas da sociedade, pessoas comuns. Além de presidente do Sindiex, eu sou professor. Dei aula por mais de 14 anos em vários cursos de pós-graduação e mestrado. É interesse de várias classes da sociedade ver um futuro melhor. E sem o ajuste fiscal e das contas públicas, vamos comprometer esse futuro, principalmente das próximas gerações. Por isso, vamos congregar pessoas de diversas origens, não podemos ser omissos no destino do nosso país.

No caso da reforma da Previdência, qual o papel do movimento?
O objetivo da reforma vem sendo discutido há muitos anos. Não podemos postergar a decisão porque a população está envelhecendo, com a expectativa de vida aumentando. Por outro lado, a taxa de natalidade está menor, 1,7. O que vai acontecer é que vamos ter poucos jovens sustentando uma quantidade grande de adultos. Essa conta não fecha. De todas as despesas do Brasil, 53% estão comprometidas com a previdência. Daqui a 10 ou 15 anos, teremos que gastar 70% das receitas com a previdência e vai faltar dinheiro para a saúde, educação e segurança. Sabemos que para aumentar a produtividade, é preciso investir em educação, e não vai sobrar dinheiro para isso.

Qual o objetivo do movimento?
O que a gente está querendo ouvir é a opinião da sociedade civil para apresentar uma proposta, mostrar aos parlamentares que a reforma da Previdência precisa ser votada antes do recesso parlamentar (em julho). É uma demanda da sociedade, do povo brasileiro, não de partido X ou Y. Temos que pensar na coletividade. Queremos atrair pessoas que pensam no bem comum em vez de pensar em coisas individuais, corporativistas.

O grande embate em Brasília é o clamor das ruas contrário à reforma. De que forma o movimento quer chegar no trabalhador, que muitas vezes tem sido orientado pelo sindicato a ser contra a reforma?
As redes sociais têm um papel muito importante nisso. Todos os tipos de profissionais têm acesso ao WhatsApp e vamos utilizar as redes sociais para atingir a todos enviando mensagens e palestras. Queremos fazer um efeito multiplicador que se propague para o resto do Brasil.

E sobre os pontos polêmicos da reforma, que geram discordância, como estão tratando?
Gostaríamos que a gente pudesse reduzir ao valor de R$ 1,2 trilhão em economia, mas se o governo tiver que ceder, a economia pode ser de R$ 900 bilhões ou R$ 600 bilhões. Temos que ser ousados e pensar grande para parar de lutar por benefícios próprios ou corporativismo. O importante é que exista o debate. Sempre falo que não me assusto com pontos de vistas diferentes. O debate é importante para fazer o afinamento dos objetivos. Acredito que é melhor o governo ceder em um ponto ou outro do que não ir à frente com a reforma.

Depois da previdência, quais são os próximos passos do movimento?
A prioridade é a reforma da Previdência e vamos lutar para que o movimento se multiplique pelo país. Se essa passar, as outras vão acontecer. A gente precisa sair da inércia. A reforma tributária também é importante porque temos um estado gigante e ineficiente.


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