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7 mitos das campanhas eleitorais

Nesta semana, Darlan Campos, diretor executivo da República Marketing Político, fala sobre os 7 mitos das campanhas eleitorais.

Não são mitos no sentido antropológico do termo. Não são histórias de eventos prodigiosos que explicam a vida política ou que ajudam a conferir significados ou a funcionar como um cimento que une a sociedade.

São mitos, antes, ligados à origem etimológica da palavra que deriva do grego “mythos” e que alude a palavras, meras palavras em substituição a fatos. Refiro-me então a mitos que obstruem a compreensão do que realmente acontece nas campanhas eleitorais.

Mitos que dificultam esse entendimento e o substituem por um conjunto de idéias e preconceitos que obscurecem mais do que esclarecem a paisagem.

Confira:

Mito 1: o voto é consciente e racional

O primeiro dos 7 mitos das campanhas eleitorais e sobre o voto. Esse mito sustenta que o eleitor toma sua decisão movida exclusivamente por um processo intelectual e racional.

Decidir o voto, para quem acredita nessa crença, seria uma operação bastante fria, na qual o cidadão pensa, compara, analisa, pesa e chega a uma conclusão.Na verdade, o mecanismo de decisão de votação não é assim.

Pelo contrário, fatores emocionais estão em primeiro plano e são absolutamente decisivos. Isso não significa que o racional não desempenhe nenhum papel, mas significa que o fator mais poderoso é emocional.

É disso que se trata a escolha: emoções. Segundo esse mito, os processos psicológicos que participam da decisão de votação são conscientes. Não é assim.

Faz mais de 100 anos que Sigmund Freud descobriu que a consciência é apenas a menor porção de nossa vida psíquica, apenas a parte visível do iceberg. Um imenso iceberg dominado pelos processos mentais inconscientes. Na votação, também é assim.

Mito 2: o candidato conhece o eleitorado

Outro mito das campanhas eleitorais é a ênfase é colocada em um suposto feelling político, fruto da experiência do candidato, que lhe permite saber o que quer, o que precisa, o que teme e o que acontece aos eleitores.

Na realidade, trata-se de uma visão retrógrada e antiquada, dos tempos em que não havia bons mecanismos para a pesquisa de opinião pública e, então, as campanhas só podiam contar com palpites e felling.

Agora sabemos que mesmo o melhor analista de conjuntura perde 99% da informação. Há disponibilidade no mercado de procedimentos científicos excelentes para estudar a opinião pública e compreender como pensa e age o eleitorado.

De pesquisas a entrevistas detalhadas e grupos focais. Não usá-los é condenar a campanha eleitoral a viver nos tempos pré-históricos.

Mito 3: os amigos são os melhores conselheiros

O terceiromito tem consequências operacionais imediatas: o candidato é cercado por um círculo de amigos e familiares. Ele tem extrema confiança, é claro, e é cada vez mais guiado por seus conselhos. Quem melhor do que amigos para aconselhar bem?

No entanto, nada está mais longe da verdade. Na realidade, o candidato que raciocinou não se cerca, mas acaba preso pela boa vontade de seus amigos.

Pego por um ambiente que facilmente cai no coro de louvor, ou que seja desequilibrado porque eles certamente têm uma visão muito, muito semelhante à do próprio candidato, ou quem é cego pelo amor ou que ele está cego pela falta de conhecimento e/ou experiência em campanhas eleitorais.

Um ambiente que não pode ser objetivo além de suas intenções.

É sempre preferível recorrer a profissionais para aconselhamento. E também para pessoas de fora do ambiente que podem agir e falar com mais frieza.

Mito 4: a votação é decidida durante a campanha eleitoral

Segundo esse mito, parece que o cérebro do eleitor se ajustou aos tempos marcados pelos partidos políticos e pela legislação eleitoral.

Não é assim. O processo de decisão de voto ele começa antes do processo eleitoral, quando o pré-candidato alcança a mente do eleitor através dos seus posicionamentos e história de vida. Uma construção que continua dentro do processo eleitoral e se consolida no dia da eleição.

O voto não é um passe de mágica, fruto de uma placa ou panfleto de campanha entregue. É por isso que é essencial implementar uma campanha política permanente . E é por isso que temos que pensar muito bem para quem a campanha eleitoral está indo.

Outro elemento importante é o papel da articulação. Existem campanhas se são ganham, muito antes do jogo começar.

Mito 5: você pode fazer campanha sem dinheiro

O quinto mito atribui qualidades mágicas às ideologias e acredita que uma estrutura ideológica de sucesso é suficiente para implementar uma campanha.

É um mito que, quando você se torna realidade, quebra os dentes quando descobre que cada passo de uma campanha eleitoral envolve despesas. Cada passo. Ao menor, ao mais modesto sinal de rua, ao menor torcedor local, ao menor panfleto, ao veículo e combustível necessário para ir falar com os eleitores … Tudo.

Nem pense em publicidade no rádio ou na televisão. É que você não pode fazer política sem dinheiro. É um axioma. E se você não tem o dinheiro, precisa procurá-lo.

Para algumas forças políticas, não deve haver nada mais central do que a campanha financeira. Porque, caso contrário, eles simplesmente não existem aos olhos do público grande público.

Você pode fazer uma campanha com baixo orçamento ou pouco recurso. Mas não existem campanha sem dinheiro.

Mito 6: o eleitor é idiota

Há toneladas de candidatos enterrados sob esse mito, que acreditavam que as pessoas não sabiam ou não iriam descobrir, ou talvez não iam perceber. Que eles não dariam apenas importância ao assunto que os enterrou.

É verdade que a maioria das pessoas não presta muita atenção aos políticos, mas isso não é bobagem. E ele percebe as coisas, mais cedo ou mais tarde. É por isso que o curto prazo não paga.

O eleitor tem sua lógica própria de definição do voto e de julgamento eleitoral. Compreender esse processo é fundamental.

Mito 7: o político é um ótimo comunicador

No último mito uma crença muito comum no meio político. Dizem por que, se o político se dedica à atividade pública e se sai mais ou menos bem, ele é um ótimo comunicador, pelo menos melhor do que todo o seu ambiente. E se ele é um ótimo comunicador, ele sabe melhor do que ninguém como um canal de televisão, um folheto ou uma cunha de rádio funcionará.

Na realidade, o bom desempenho político nem sempre é um indicador de sólidas qualidades comunicacionais.. Muitas vezes, outros fatores ajudam, incluindo o contexto econômico, político, social e cultural do país ou cidade.

Portanto, é quase sempre indicado um treinamento de mídia, um treinamento para o melhor desempenho antes da mídia. E, claro, a comunicação através da mídia é uma questão muito diferente para a qual é necessária especialização e profissionalização. Caso contrário, vai para o desastre.

Conclusão

Fique atento aos 7 mitos das campanhas eleitorais para que sua campanha eleitoral não naufrague antes mesmo de iniciar o pleito.

E ai, o que achou dos 7 mitos das campanhas eleitorais? Lembrou de algum outro mito?! Comente conosco.

Darlan Campos é Consultor em Marketing Político, professor, escritor e membro fundador do CAMP - Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político. Especialista em Marketing Político e Comunicação Estratégica, Diretor executivo da República Marketing Político (http://republicamarketingpolitico.com.br/). Autor de dois livros sobre a temática: ‘Nas ruas e nas redes – estratégias de marketing político’, publicado pela editora Soares/SP, lançado em 2017, e 'Marketing Político - construção de candidaturas vitpriosas', editora Lexia/SP. Atua como consultor em Marketing Político com foco em campanhas eleitorais, mandatos parlamentares ou gestão e estratégia de comunicação política em estados e municípios. Tem experiência em: marketing político e público, marketing político digital administração de crise, planejamento de comunicação, e em estratégia para mobilização de causas.

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.


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