2020: uma reflexão sobre a liberdade individual - ES360

2020: uma reflexão sobre a liberdade individual

  • Nathália Cinelli

O ano de 2020 tem sido uma verdadeira prova de fogo. Todos nós tivemos nossos limites testados em algum momento. Garanto que não em poucos, mas em vários momentos nos vimos na linha de frente da tomada de decisões. Ao nos deparar com elas, não demorou muito para percebermos que, a cada decisão, um impacto é gerado. O impacto raramente se restringe aos tomadores de decisão, mas, de alguma forma, respinga em parte da sociedade na qual estamos inseridos.

A afirmação acima parece óbvia, contudo, inconscientemente aceitamos viver como se não fosse. A partir do momento que eu permito que o outro tome as decisões por mim sobre aquilo que eu irei fazer, automaticamente eu entrego a responsabilidade que possuo sobre cada impacto a outro. “Outro” esse que sequer me mostrou saber as consequências daquilo que estaria decidindo por mim. Essa linha de pensamento parece, também, não nos mostrar nada de novo. Entretanto, ainda que de forma tão lógica, nós nos acostumamos com o que é irracional.

Em 2020, de fato recebemos um livro em branco, mas recebemos um manual junto com ele que nos ensinou que todas as nossas escolhas, mesmo aquelas que tomamos diariamente sem que sequer nos demos conta, podem ser podadas por um simples ato. Ato esse que é revestido de autoridade, mas muitas vezes sem legitimidade. Não, não foi fácil. Não foi fácil por motivos enumeráveis. O primeiro é de que fomos ensinados, literalmente, a esperar que algo maior que nós saiba decidir por nós. O segundo é que “jogamos” a responsabilidade para quem decide (que não somos nós). O terceiro é que, tragicamente, o contrário disso tudo é o que parece anormal.

Estamos atravessando uma pandemia, cujas causas e consequências são inconclusivas. Medidas foram adotadas, decisões tomadas e, mais uma vez, o impacto recaiu sobre a sociedade. Mas, se a sociedade é quem sofre os impactos, por que não é esse conjunto que toma as próprias decisões? Não é difícil chegar à conclusão de que, se cada um fosse legitimamente responsável por aquilo que escolhe, nós, indivíduos, seríamos revestidos não por um, mas sim por dois grandes princípios: responsabilidade e liberdade.

Comprovadamente, as medidas restritivas contra a contaminação da pandemia adotadas não resultaram em melhores resultados, seja sob o ponto de vista de saúde pública ou sob o ponto de vista econômico. Comprovadamente, as medidas tomadas de forma arbitrária, essas sim, além de respingar em todos nós de alguma forma, levaram-nos a um importante resultado: enquanto esperarmos por algo maior decidir por nós, e com isso retirarmos de cada indivíduo sua responsabilidade por aquilo que faz ou deixa de fazer, estaremos fadados a viver sem liberdade individual.

A liberdade individual não é algo que se ganha, mas sim o resultado de assumirmos as nossas responsabilidades. Assumirmos tomar decisões e lidarmos com suas consequências. Assumir papel na sociedade não é fácil, é como deixar de ser criança. E, de forma bem simples, a única forma de deixarmos o irracional parecer ser normal é assumindo o papel que cada indivíduo tem em ensinar e em propagar o princípio da liberdade individual para todos. Afinal, esta não foi a primeira pandemia atravessada e certamente não será a última. Portanto, empiricamente pudemos ver que deixar para que o outro decida por nós é aceitar os impactos incalculáveis dessa ação.

Sobre a autora:

Nathália Cinelli. Foto: Divulgação
Nathália Cinelli. Foto: Divulgação

Nathália Cinelli é formada em Direito pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV), pós-graduanda em Governança, Gestão de Riscos e Compliance pelo Instituto de Governança, Integridade e Desenvolvimento Organizacional (IGIDO). Atualmente exerce a função de Assessora Jurídica na Apex Partners e membro do IBEF Academy.

Ibef Academy é o ciclo de formação do IBEF Jovem ES, focado em conteúdo das áreas de finanças e economia. Seu objetivo é melhorar o ambiente de negócios e financeiro do Espírito Santo, através da auto capacitação de seus membros nas referidas áreas. O IBEF Jovem ES, por sua vez, é o braço do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEFES) que reúne profissionais com até 35 anos.

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.


Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Mais Colunas